Os capitalistas enchem o papo com a devastação e a miséria. Por Roberto Liebgott.

Lucro sem limites: devastam a natureza, expulsam povos e mercantilizam a vida. Estados servem, direitos viram obstáculos, poucos acumulam tudo. Até quando? Quando os de baixo se movem, o topo desaba.

Por Roberto Liebgott, Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.

A saga do lucro não conhece limites. Os donos do mundo não dormem. Seguem comendo a terra, devastando florestas, matando rios, envenenando águas e tudo o que nelas vive e resiste.

Mas não lhes basta ferir a natureza. Precisam também esmagar os povos, expulsá-los de seus territórios, escravizá-los de formas novas ou antigas, dobrá-los para que sirvam sem qualquer tipo de objeção.

A vida, a dignidade humana, os direitos fundamentais – nada disso os afeta. Nada disso os freia. Avançam sobre tudo. Desmontam leis, corrompem instituições, compram consciências, transformam direitos em entraves e a justiça em mercadoria.

Os Estados nacionais, em geral, ajoelham-se e tornam-se balcões de negócios, escritórios de interesses privados, servos obedientes à ganância global. Pouco lhes importa a fome, a pobreza, a exclusão ou o abandono de milhões.

Nessa lógica, a terra não é mãe: é ativo. A floresta não é vida: é estoque. O rio não é fonte de vida do planeta: é recurso. Pessoas pobres não são tratadas como gente, mas como mão de obra barata ou descarte.

Povos originários, comunidades tradicionais, quilombolas, camponeses e ribeirinhos são tratados como obstáculos removíveis diante do minério, do petróleo, da soja, do eucalipto e do boi.

No Brasil, multiplica-se o cuidado com rebanhos e grandes plantações de monocultivos de soja transgênica, enquanto falta cuidado com pessoas. Investe-se mais no lucro da cerca do que na dignidade humana.

Terras raras, minérios, água, energia, grãos e carne alimentam os impérios modernos. A partir dessa lógica exploratória, crescem fortunas obscenas e tecnologias reluzentes, erguidas sobre lama, devastação, sangue e silêncio.

E, lá do alto da pirâmide global, observam os que esmagam e, na mesma medida, enchem o papo com o lucro desmedido. E cá embaixo, multidões disputam migalhas que despencam da mesa dos poderosos.

Mas há de se reafirmar que nenhum império dura para sempre. Os de cima costumam acreditar que seu poder é eterno, que suas muralhas jamais cairão e que os de baixo nasceram para obedecer.

Enganam-se, porque, quando os que sustentam o mundo com trabalho, suor e resistência se movem, toda estrutura treme. E quando os de baixo se levantam, os de cima caem.

Porto Alegre (RS), 28 de abril de 2026.


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