
Os cidadãos do Senegal, da África do Sul e da Tanzânia estão prestes a serem acertados, na próxima semana, com toda a panóplia de uma visita presidencial norte-americana. Normalmente, poucos detalhes sobre as operações logísticas requeridas para transportar chefes de Estado pelo mundo e as perturbações que elas causam são publicadas (a não ser que medidas de segurança tornem-se óbvias ao público, ou que as coisas vão mal).
Entretanto, detalhes logísticos raramente publicados emergiram antes da viagem desta semana do presidente Barack Obama e da sua esposa, Michelle. O Washington Post recebeu um “documento interno e confidencial de planejamento” que fornece uma noção do quão longe os Estados Unidos vão para proteger o seu chefe de Estado.
De acordo com a reportagem do jornal estadunidense, aviões militares cargueiros transportarão dezenas de veículos (incluindo 12 limusines) para as cidades que o casal visitará. Camadas de vidro blindado tamparão as janelas dos hotéis em que ficarão.
Centenas de agentes dos serviços secretos chegarão antes do casal presidencial, e se juntarão entre ele a cada passo que derem. Caças da Força Aérea estadunidense acompanharão o avião presidencial, prontos para intervir se uma aeronave não autorizada chegar perto demais. Navios da Marinha norte-americana estão posicionados nas cidades litorâneas que o presidente visitará, equipados com centros médicos para casos de emergências.
Entre os veículos transportados para cada cidade, segundo o Washington Post, estarão as “limusines de desfiles para o presidente e a primeira-dama; um veículo especializado de comunicações para assegurar conexões de telefone e vídeo; um caminhão que interfere em frequências de rádio à volta do comboio presidencial; uma ambulância completamente equipada que pode lidar com contaminações biológicas ou químicas; e um caminhão com equipamento de raio X.
Os Obama deveriam ir por um safari de duas horas na Tanzânia, mas isso pediria um time especial de contra-ataque, então o programa foi substituído por uma visita à Ilha Robben, próxima a Cidade do Cabo (África do Sul), onde Nelson Mandela passou 18 anos, e muitos daqueles que foram sentenciados com ele a 27 anos, na prisão.
O artigo do Washington Post gerou um debate sobre as finanças dos Estados Unidos, e a questão, nas entrelinhas, sobre se os africanos valem os 60 a 100 milhões de dólares que o jornal estimou para o custo da viagem. A isso, o ex-embaixador estadunidense na Nigéria, John Campbell, que agora está no Conselho de Relações Exteriores, responde: “é claro que vale o gasto”.
Ele disse, ao portal de notícias AllAfrica: “A viagem presidencial é, por definição, extremamente cara, não importa pra onde ele vá […]. Se ele vai a Nova York, os custos são, de uma certa perspectiva, enormes. Mantenhamos tudo no contexto”.
Tradução da redação do Vermelho
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