O t€rrorism* isr4elens€ na Internet

Por Natália Araújo.

A desinformação digital no genocídio contra a Palestina

Enquanto a Faixa de Gaza é pulverizada por ataques, uma estratégia de guerra ainda mais insidiosa se desenrola nas telas: a desinformação digital. Não se trata apenas de propaganda, mas de um uso sofisticado e cruel da tecnologia para manipular a percepção global da realidade em Gaza, descredibilizando a magnitude da destruição e o sofrimento humano. As evidências apontam para uma prática que busca minar a verdade com a mesma precisão cirúrgica de um míssil teleguiado.

A denúncia é estarrecedora: em um esforço para negar o genocídio televisionado, sistemas de inteligência artificial (IA) estariam sendo empregados para vasculhar meses de postagens de redes sociais de bares e cafés em Gaza. O objetivo? Criar e disseminar conteúdo falso, misturando-o com publicações autênticas anteriores a 7 de outubro de 2023, para simular uma normalidade que simplesmente não existe mais. A intenção é clara: fazer o mundo acreditar que a vida segue inalterada, mesmo com uma cidade inteira reduzida a escombros, em um efeito destrutivo que, segundo alguns relatos, supera o impacto combinado de Hiroshima e Nagasaki.

A estratégia da ilusão: bares e cafés em ruínas são exibidos como ativos na internet

Essa tática de manipulação atinge um novo patamar de crueldade. Enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU), a Corte Internacional de Haia e milhares de organizações civis ao redor do mundo denunciam o genocídio – a máquina de desinformação trabalha incansavelmente para criar uma realidade paralela.

A tática de buscar posts antigos de estabelecimentos comerciais, como bares e cafés, e mesclá-los com criações de IA para sugerir que a vida em Gaza não foi impactada pela guerra, é um exemplo frio e calculista. Uma busca simples no Google Maps com filtro “satélite” revela a crueza da mentira: edifícios inteiros, como a Mesquita de Hazam e a cafeteria supostamente ativa, aparecem completamente demolidos, não apenas o prédio, mas toda a área ao redor.

Um exemplo notório dessa prática é o da repórter e influenciadora israelense Rachel Safdie. Sionista e ligada ao exército israelense, Safdie tem espalhado vídeos manipulados por IA, com alegações falsas sobre a vida em Gaza, como se não houvesse guerra e fome na região. Essa prática é a personificação da guerra híbrida, onde a batalha não é travada apenas no campo de combate, mas também nas mentes e corações das pessoas, através da manipulação da informação. Veja a postagem:

ttps://www.instagram.com/reel/DMGBheFs-hO/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

Veja o local do post  buscando em 14/07/2025 às 12:36 (https://maps.app.goo.gl/GASLqD4rJNn4MAqk6?g_st=ipc)

Um genocídio à vista do mundo

A prática de usar filhos palestinos para “promover a guerra”, uma das alegações difundidas por Rachel Safdie em sua postagem, é mais uma sádica práxis de deslegitimar a resistência e a dor do que está realmente acontecendo em Gaza, neste momento. E é veementemente contestada por organizações internacionais.

ONU, a Corte Internacional de Haia e milhares de organizações civis em todo o mundo, juntamente com líderes de 147 países (mais de 75% dos membros da ONU) que hoje reconhecem a Palestina como um Estado, sabem que o que se desenrola em Gaza não é mentira ou manipulação, mas sim um genocídio transmitido ao vivo.

Essa prática de distorção da realidade e criação de ilusões através da tecnologia de ponta é familiar em outros contextos políticos, como o que se observa na extrema-direita bolsonarista no Brasil. A desinformação, alimentada pela IA e espalhada por algoritmos, torna-se uma arma tão letal quanto qualquer bomba, corroendo a verdade e ajudando em golpes a governos legítimos, como foi o do dia oito de janeiro de 2023, amplamente difundido por Steve Bannon e sua equipe milionária de programadores e robôs que lobotomizar o cérebro da direita brasileira até hoje.

Natália Araújo é jornalista do Núcleo Palestina PT.


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