O que divide e o que une os sionistas israelenses. Por Jair de Souza.

Por Jair de Souza.

Tenho certeza de que quase todos nossos leitores já terão se deparado com expressões retratando o Estado de Israel como uma democracia, ou mais enfaticamente, como a única democracia no Oriente Médio.

Para os que encampam o que acabou de ser dito, pouco importa que Israel mantenha para as populações originárias um sistema caracteristicamente de apartheid; que esse Estado seja o único do mundo estruturado em base racial, já que, como sabemos, Israel é oficialmente o Estado do povo judeu. Também lhes é irrelevante que o próprio significado do termo judeu não esteja claro para ninguém. E, ao dizer ninguém, esse ninguém inclui aos próprios israelenses.

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Portanto, estamos falando de um Estado racial cuja raça que lhe dá embasamento não pode ser claramente definida por nenhum método minimamente lógico.

Se o critério adotado para precisar o significado de judeus for o religioso, seríamos forçados a excluir dessa categoria a uma parcela expressiva de seus atuais membros, assim como à maioria de seus próceres fundadores. Isto se deve a que boa parte da população israelense catalogada como sendo judeus não professa o judaísmo. Muitos deles sendo mesmo até ateus ou agnósticos. Coisa similar, ou até mais acentuada, se constata quando analisamos os casos daqueles que lideraram na Europa o movimento sionista para a criação do Estado de Israel.

Por outro lado, se apelarmos para indícios de nacionalidade para a construção do conceito de judeu, a confusão se torna ainda mais gritante. Mesmo entre os judeus de origem europeia (que constituíam a imensa maioria dos forjadores desse Estado) pouco existe que os unifique em termos nacionais.

Porém, como aprendemos ao estudar com Benedict Anderson em seu renomado livro Comunidades Imaginadas, nenhuma nação se forma com base em critérios explicáveis por racionalidade e por lógica científica. São as manipulações, conscientes ou inconscientes, de várias subjetividades o que leva a unificar amplos grupos de seres humanos a se identificarem como parte de uma mesma nação. No caso de Israel, o processo não poderia ser muito diferente.

O que definitivamente serviu como o mais relevante ponto para a construção do Estado de Israel foi a motivação colonialista impartida pela grande burguesia judaica da Europa através de seus teóricos do sionismo.

Como vamos observar ao ver o vídeo dos links ( https://youtu.be/Ret3DxAvbJ4 ; https://www.dailymotion.com/video/x8u675m ; https://vimeo.com/921719729 ), no Estado de Israel, os sionistas estão em permanente briga de foice entre si. São sionistas religiosos contra sionistas laicos; são sionistas de direita contra sionistas de esquerda; são sionistas conservadores contra sionistas progressistas; etc. As batalhas entre eles são encarniçadas, ferozes, guerra sem quartel o tempo inteiro.

Entretanto, há um fator que sempre serve para aglutinar todas essas facções e fazê-las atuar ao uníssono, como uma só força. Este ponto de unificação é seu ódio ao povo palestino. Em qualquer momento de turbulência interna, basta que alguma das facções sionistas em pugna escolha desfechar seus golpes contra o povo palestino e, de imediato, todas as outras se aliarão a ela com todo seu empenho e determinação.

Quando se trata de exterminar palestinos, matar suas crianças, destruir suas moradias, expulsá-los e ocupar suas terra, aí, tanto faz que tenhamos sionistas de direita ou de esquerda, religiosos ou laicos, conservadores ou progressistas. Se for para consolidar o colonialismo e eliminar o povo palestino, todos os sionistas, independentemente de sua pelagem, se consideram parte da mesma família.

Jair de Souza é economista formado pela UFRJ; mestre em linguística também pela UFRJ.

A opinião do/a/s autor/a/s não necessariamente representa a opinião de Desacato.info.

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