A jornalista Elizabeth Duval ganhou, hoje, excelente repercussão sobre o seu artigo no Jornal El Diario, da Espanha.
Ninguém fez nada, é o título.
Trata sobre o episódio de uma mulher imigrante que sofreu brutal violência num vagão lotado de trem de Madri, sem que nenhuma das pessoas presentes fizesse nada para ajudar a mulher maltratada.
Em comparação, ela descreve como, naquele mesmo dia, encontrou um smartphone no chão de uma discoteca e como foi tratada como heroína, pelo que ela descreve como um gesto simples e normal de entregar ao estabelecimento onde se encontrava.
No sábado passado, analisei minha própria apatia ao ver uma idosa ser ameaçada aos gritos por um jovem na rua. E sobre como me tranquilizei ao ver que passava na hora um carro da polícia. Que afinal não fez nada. Hoje tratarei de verificar com a mesma polícia local sobre como denunciar o agressor, vizinho próximo daquela vítima. Nem que seja por precaução. Não o consigo deixar de fazer.
Mês passado, gritei na rua, exigindo ajuda a um agente de polícia local das Ramblas, coração turístico de Barcelona, ao ver um homem agarrando o smartphone da sua suposta companheira sentimental, depois de gritar e fazer gestos de que a agrediria fisicamente. Havia muita gente passando bem à frente do movimentado Liceu. E, daquela vez, não hesitei em tentar deter aquela violência crescente. Depois da polícia deter o agressor, ali na minha frente, tive que dedicar um bom tempo e quase perder um importante compromisso, porque a polícia exigiu minha presença e documentação. Quase nada, comparado ao que poderia ter acontecido se a escalada de violência machista se concretizasse.
Não escrevo para exaltar nenhuma heroicidade minha. Pelo contrário.
Escrevo para fazer uma reflexão conjunta com as pessoas que me leem.
Quantas vezes me aconteceu algo semelhante e eu vacilei nos preciosos segundos em que qualquer pessoa pode e deve agir de acordo com a sua consciência e contra o medo ou suspeita que nos paralisa? E você?
Está crescendo o número de determinados ataques. Isto é um fato consumado. Não são poucas as pessoas que, ao tentar ajudar, se prejudicam. O certo é que há toda uma forma, estudada, analisada, de como agir e de como não agir. Procure informar-se sobre isso.
A pergunta final que Nos deixo é: qual reflexão preventiva podemos fazer, qualquer pessoa como nós, para se isso acontecer hoje ou amanha? O que devo e o que posso fazer? Dois verbos que se relacionam de forma importante.
O que estou “moralmente” obrigado e o que eu tenho o poder, a possibilidade ética, de fazer e eu faço ou não faço?
Moral é o que vem de fora, de como veem ou de como Me Veem os outros, para resumir.
A ética é sempre interna.
Busque a sua. Eu estou buscando a minha. Esta é minha breve proposta de reflexão.
@1flaviocarvalho, @amaconaima, sociólogo, escritor. Barcelona, 7 de agosto de 2025.
A opinião do/a/s autor/a/s não representa necessariamente a opinião de Desacato.info.
Descubra mais sobre Desacato
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.




