Milhares de pessoas se reúnem em Havana para apoiar o líder cubano Raúl Castro

Milhares de pessoas se reuniram nesta sexta-feira em Havana, Cuba, em apoio ao ex-presidente e líder histórico da Revolução Cubana, Raúl Castro Ruz, que na última quarta-feira foi acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA por sua suposta responsabilidade pela morte de quatro pessoas, que faleceram após a derrubada de duas aeronaves que violaram o espaço aéreo da ilha, em 24 de fevereiro de 1996.

Após a divulgação da acusação, diversas organizações políticas e sociais do país caribenho convocaram a instalação de uma Tribuna Anti-imperialista na capital cubana às 7h30, hora local, para fechar fileiras em torno do revolucionário – que completa 95 anos neste dia 22 de maio – e reafirmar a vontade do povo cubano de resistir ao prolongado cerco norte-americano, que já soma mais de seis décadas.

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“Por Cuba e por Raúl, estamos na Tribuna Anti-imperialista”, afirmou o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, minutos antes do início do ato.

Na véspera, Díaz-Canel afirmou que as acusações contra Castro formuladas pela Justiça norte-americana “apenas evidenciam a arrogância e a frustração que a inabalável firmeza da Revolução cubana e a unidade e força moral de sua liderança provocam nos representantes do império”.

“Trata-se de uma ação política, sem qualquer fundamento jurídico, que visa apenas engrossar o dossiê que estão fabricando para justificar o despropósito de uma agressão militar contra Cuba”, advertiu o presidente em uma mensagem publicada em suas redes sociais.

O anúncio também suscitou a repulsa do Governo cubano como um todo, que lembrou que “o Governo dos EUA carece de legitimidade e jurisdição para levar a cabo essa ação”.

As autoridades cubanas avaliaram que a manobra judicial de Washington não passa de “um ato desprezível e infame de provocação política, que se baseia na manipulação desonesta do incidente que levou ao abate no espaço aéreo cubano” e cujo objetivo final é justificar perante a opinião pública o recrudescimento do bloqueio e as “ameaças de agressão armada”.

Agressão dos Estados Unidos contra Cuba

Em 29 de janeiro, Trump assinou um decreto que declara uma “emergência nacional” diante da suposta “ameaça incomum e extraordinária” que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos Estados Unidos e da região.

O texto acusa, sem provas, o governo cubano de se aliar a “inúmeros países hostis”, de abrigar “grupos terroristas transnacionais” e de supostamente permitir a implantação na ilha de “capacidades militares e de inteligência sofisticadas” da Rússia e da China.

Com base nessas alegações infundadas, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.

Na semana retrasada, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, avisou que planejava impor novas sanções contra Cuba. Nesta segunda-feira, isso se concretizou com medidas coercitivas adicionais contra vários funcionários do Gabinete do presidente Miguel Díaz-Canel.


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