Marchamos contra o racismo, a violência terrorista do estado e a exploração capitalista

A polícia vê no jovem negro e pobre um potencial criminoso e uma ameaça à ordem pública

Imagem: Instagram Portal Desacato / Tali Feld Gleiser

Por Liga Comunista.

Neste 20 de Novembro, dia nacional da Consciência Negra, marchamos novamente para denunciar o racismo como um componente essencial da exploração capitalista brasileira. Marchamos para denunciar todo um sistema ideológico, político, cultural e repressivo no qual a população negra é vista apenas como força de trabalho barata a ser explorada sem limite. Marchamos para denunciar um Estado cuja política econômica garante bilhões de lucros aos banqueiros, mas se recusa a universalizar direitos básicos como saúde, educação, cultura e lazer para a juventude pobre e negra. Marchamos para denunciar a violência terrorista do Estado, cuja polícia mata a juventude negra e periférica.

Mas, nossa marcha vem de longe e não se esgota hoje. Marcharemos todos os dias enquanto não acabarmos com uma exploração capitalista que reproduz o racismo para pagar salários menores aos trabalhadores negros. De acordo com dados da Rais de 2024, um trabalhador negro recebe 42,7% menos do que um trabalhador branco. Já as mulheres negras recebem 50,2% da remuneração de um trabalhador branco. Quase 70% dos trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão são negros. E enquanto a informalidade atinge 38,6% dos trabalhadores em geral, a taxa é de 44,1% para os trabalhadores negros e de 41% para as trabalhadoras negras.

Continuaremos nossa marcha enquanto não acabarmos com a violência do Estado. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, de 2013 a 2023, a letalidade policial aumentou quase 200%. Ainda segundo o Anuário, 82,7% das vítimas eram negros. Isso evidencia a natureza racista da segurança pública, cuja polícia vê no jovem negro e pobre um potencial criminoso e uma ameaça à ordem pública. Essa política de segurança pública racista é a responsável pelo encarceramento em massa de jovens negros. De acordo com dados de 2022 do Fórum de Segurança Pública, 68% das pessoas cumprindo pena em regime fechado são negras.

Marchamos para denunciar o racismo religioso. De acordo com dados do Ministério dos direitos Humanos e da Cidadania, o número de casos de intolerância religiosa entre 2023 e 2024 cresceu mais de 80%. Pulou de 2.128 casos para 3.853. O candomblé e a umbanda, religiões de matriz africana, lideram o total de violações.

Por todas essas razões, continuaremos em marcha enquanto não alcançarmos completa igualdade racial. Marcharemos pela revogação da reforma trabalhista e a precarização do trabalho, cujas maiores vítimas é a classe trabalhadora negra. Marcharemos pela revogação da reforma da previdência, que exclui milhões de trabalhadores com baixo tempo de contribuição, em sua maioria negros e negras, do direito de se aposentar. Marcharemos em defesa do BPC, pois 58,8% dos cadastrados no CadÚnico são negros e negras. Marcharemos contra a escala 6 x 1, pois de acordo com estudo da Universidade Federal de Goiás, dos 34 milhões de trabalhadores submetidos essa escala, 63,1% são negros e pardos.

Marcharemos contra a política de segurança pública da extrema-direita, cuja lógica punitivista tem na juventude negra e periférica seu alvo principal. Marcharemos contra o fascismo, cuja política de branqueamento quer apagar o papel do negro na sociedade brasileira e normalizar o racismo sob a desculpa da liberdade de expressão.

Falar da história do Brasil é falar da história de luta da população negra, primeiro para se ver livre da escravidão; e nos dias atuais para se ver emancipada da exploração capitalista e toda sua carga de preconceito, exploração e violência. No Brasil, não existe luta anticapitalista sem luta antirracista. Por isso continuaremos em marcha, até alcançarmos a plena igualdade racial em nosso país, que em nossa opinião exige uma estratégia socialista.


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