Jupiter Bokondji

Todo aquele que queira conhecer o movimento underground do Congo e a sua efervescente capital, Kinshasa, tem inevitavelmente um encontro marcado com a música de Jupiter Bokondji & Okwess International.

Jupiter, abre uma página importante na história da música congolesa: inaugurando a mestiçagem dos ritmos urbanos com um repeito profundo pelas tradições tribais africanas e tudo isso em perfeita harmonía. Os curiosos das músicas do mundo, encontram nele um trampolím para descubrir a deslumbrante diversidade cultural de um dos países mais ricos do mundo.

Quando ninguém se atrevía a redimensionar os sons da música congolesa, por medo a transformar a frutífera tradição; Jupiter que tinha acabado de chegar, depois de ter vivido na Alemanha de Leste e na Bélgica, como filho de um diplomático, trouxe na mala os ritmos que lhe tinham quebrado a cabeça. Com os pés em Kinshasa, a realidade tomou-o de surpresa e na rua, a música manteve-o no caminho da dignidade. Vivendo para e pela sua música, entendeu viajando pelo seu país a força que este tem, entendendo como cada uma das 450 etnias existentes no Congo têm os seus ritmos ; dos quais diverge uma gama inimaginável de sons que chegaram até outros continentes. No interessantíssimo documentário Jupiter’s Dance, que se passeia pela vangárdia do movimento underground da capital, Bokondji conta-nos: «Uma pessoa não vê a Kinshasa, ouve-a». Em cada casa há um músico». Vem de um ghetto, à qual devolve a alegria quando Okwess Internacional mistura os ritmos do Kassai, Baixo Congo, Ecuador e outras regiões do Congo, com a pimenta do Afro-Beat, do Reggae, do Rock e do Funk… a este ritmo alucinante chama-se Bofenia Rock.

Uma cena do quotidiano: Um grupo de crianças desesperadas, saltam de alegria. Ouvem-se gritos de ambos os lados da estrada, General Rebelle! General Rebelle! Os jovens sentem-se identificados e os mais velhos cumprimentam-no com respeito : O Quixote de Lemba, passeia a sua imensa humanidade pelas ruas do seu ghetto em Kinshasa, onde faz muito tempo os brancos não metiam os pés… Agora vêm em bando. Todos querem ver a Jupiter Bokondji…

Os que ouviram a sua obra prima Man Don’t Cry e aqueles que os viram tocar em África ou na Europa, já conhecem o cockteil de sabores que levou 30 anos a preparar. Com o seu segundo trabalho Hotel Univers, o mundo poderá finalmente saber que no Congo os diamantes também se encontram em cima do chão.

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