Gritos. Por Roberto Liebgott.

Não há ouvidos.
O silêncio se impõe como sentença.

Mas eles seguem lá – sob mísseis, sob escombros, sob o peso do mundo que desaba.

Crianças feridas,
jovens, mães e sonhos sufocados antes de nascer.

Gritos.
Desespero.
Apelos de paz que já não alcançam o ar – engolidos pela guerra.

Do outro lado,
erguem-se os algozes:
duros, brutais em seu ódio.

Ouvidos moucos,
corações impenetráveis – matar virou método.

Genocidas, deles até os demônios se afastam, não há nenhuma compaixão.

Fumaça.
Fogo.
Gemidos que se arrastam
entre o que resta das esperanças.

E os gritos – soterrados, esmagados pela ganância.

Talvez o fim da história não venha com estrondos, mas do silêncio dos covardes.

12 de abril de 2026.

Roberto Liebgott


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