CMPC e as contradições de seu “Projeto Natureza”: o vapor das caldeiras revela a face invisível do modelo indústria

Por Roberto Liebgott, Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.

Na manhã nublada de domingo, 21 de junho, início do inverno, registrou-se, subindo ao céu, uma gigantesca coluna de vapor emitida pelas caldeiras daGuaíba de Guaíba (RS), onde a CMPC insiste em afirmar que está implantando o seu “Projeto Natureza”.

A imagem, captada a partir das margens do Guaíba, no bairro Ipanema, em Porto Alegre (RS), revela mais do que uma manifestação visível de um processo industrial. Ela revela a presença de um modelo de desenvolvimento que transforma profundamente a paisagem, os territórios e as relações com a natureza.

Sim, trata-se de vapor resultante dos processos industriais. Mas a questão que permanece não é apenas identificar aquilo que nossos olhos enxergam. A questão é compreender o que existe por trás dessa nuvem branca que se espalha no horizonte.

Porque a palavra natureza carrega um significado muito maior do que uma marca ou uma estratégia de comunicação. NATUREZA é VIDA. São águas, florestas, biodiversidade, territórios, comunidades e povos que têm suas histórias e seus modos de existência ligados a esse ambiente.

A contradição aparece quando um grande empreendimento industrial, baseado no uso intensivo de recursos naturais e em processos químicos de larga escala, apresenta-se como se fosse, por essência, um projeto de proteção da natureza.

A natureza não é uma embalagem.
Não é um slogan.
Não é um nome utilizado para suavizar impactos.

A natureza é aquilo que precisa ser cuidado, respeitado e preservado.

E talvez essa imagem do vapor subindo ao céu nos ajude justamente a enxergar aquilo que muitas vezes permanece invisível: os custos, as escolhas e as consequências de um modelo que pretende avançar ainda mais com uma nova e muito maior planta industrial em Barra do Ribeiro (RS).

O vapor desaparece aos olhos, mas a pergunta permanece.

Quando um projeto se chama Natureza, ele está verdadeiramente falando da natureza ou apenas utilizando o seu nome?


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