Carolline Sardá (PSOL) assume mandato na ALESC defendendo feminismo, participação popular e direitos humanos

Feminista, comunista e comunicadora, Carolline Sardá chega aos 26 anos à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC) prometendo um mandato construído ao lado de movimentos sociais, mulheres, povos indígenas e trabalhadores. Em entrevista ao JTT, a futura deputada do PSOL apresentou suas prioridades e defendeu transformar direitos previstos em lei em políticas públicas efetivas.

Por Tali Feld Gleiser, para Desacato.info.

A partir de 15 de julho, Santa Catarina contará com uma nova representante na Assembleia Legislativa. Historiadora, publicitária, criadora de conteúdo e militante do PSOL, Carolline Sardá assume uma cadeira na ALESC propondo um mandato voltado ao diálogo permanente com movimentos sociais, organizações populares e setores historicamente marginalizados da sociedade.

Em entrevista ao programa JTT, apresentado por Sofia Andrade e Raul Fitipaldi, Carolline afirmou que sua entrada na política institucional representa uma continuidade da militância desenvolvida nos últimos anos, especialmente nas áreas da comunicação política, do combate à desinformação e da defesa dos direitos das mulheres.

Segundo ela, sua trajetória foi marcada pela experiência na publicidade e na produção de conteúdo para as redes sociais, espaço em que passou a traduzir debates políticos para um público amplo. A aproximação com a política, afirma, ocorreu a partir da vivência cotidiana das desigualdades e das violências enfrentadas pelas mulheres.

Entre as prioridades do mandato está o enfrentamento à violência de gênero. Carolline defende que Santa Catarina possui legislação importante nessa área, mas critica a falta de implementação efetiva de diversas políticas públicas. Como exemplo, citou a necessidade de garantir o funcionamento de delegacias especializadas 24 horas e de fortalecer a rede de proteção às mulheres vítimas de violência.

Outro eixo central será a defesa dos povos indígenas. Durante a entrevista, a futura deputada comentou o episódio envolvendo lideranças indígenas e o governador de Santa Catarina, classificando como desrespeitosa a postura adotada pelo chefe do Executivo estadual. Ela informou que já iniciou conversas com representantes das comunidades indígenas para construir ações conjuntas e ampliar a visibilidade das reivindicações desses povos dentro da Assembleia Legislativa.

Ao abordar a crescente presença do discurso antifeminista na política catarinense, Carolline afirmou que seu objetivo não será personalizar o confronto, mas combater as ideias que considera responsáveis pela disseminação de desinformação sobre o movimento feminista. Para isso, pretende apresentar aquilo que chamou de “prática feminista”, aproximando o mandato dos coletivos, movimentos populares e organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres.

A futura parlamentar também reafirmou sua identidade política como feminista, marxista e comunista, defendendo que a atuação parlamentar deve estar conectada às organizações da classe trabalhadora. Para ela, o mandato não pode se afastar das bases sociais nem se restringir aos espaços institucionais. A proposta é manter diálogo permanente com sindicatos, movimentos populares, ocupações, comunidades indígenas e periferias, construindo coletivamente projetos e encaminhamentos.

Segundo Carolline, um mandato popular deve ouvir trabalhadores e trabalhadoras independentemente de suas posições políticas, reconhecendo a diversidade existente dentro da classe trabalhadora. Nesse sentido, afirmou que pretende utilizar a visibilidade conquistada nas redes sociais para ampliar o alcance das pautas defendidas pelo gabinete e aproximar a população das discussões legislativas.

Ao longo da entrevista, a futura deputada insistiu na necessidade de transformar direitos formalmente reconhecidos em políticas concretas. Em sua avaliação, muitas conquistas permanecem apenas no papel, sem alcançar a realidade cotidiana da população. Por isso, defende que a atuação parlamentar seja acompanhada de presença constante nos territórios e de escuta direta das comunidades.

A chegada de Carolline Sardá à ALESC ocorre em uma legislatura marcada pela predominância de forças conservadoras. Sua posse amplia a representação das pautas feministas, dos direitos humanos e dos movimentos sociais no Parlamento catarinense, ao mesmo tempo em que introduz uma estratégia política fortemente apoiada na comunicação digital e na construção coletiva das decisões do mandato.

Assista à entrevista completa no vídeo abaixo:


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