Por Jorge Majfud.
Nunca compartilho as emoções dos políticos, às vezes porque acredito que, nesses casos, é melhor apelar para a razão e para as ideias de seus discursos e projetos e, muitas vezes, porque não acredito em suas lágrimas melodramáticas enquanto administram um império que massacra crianças em algum canto do mundo.
Este não é o caso. Acredito nas lágrimas e na emoção de Lula.
Porque seu sofrimento como pobre é verdadeiro e verificável.
Porque, como estudante sozinho em Montevidéu, eu sei o que é passar cinco dias sem comer e mentir para meus colegas dizendo que não estava com fome.
Porque, em fatos, não em meras promessas, Lula tirou 30 milhões de pessoas da miséria no início do século e voltou a tirar 20 milhões após sofrer uma prisão que se provou ser perseguição política.
Porque, com seus erros e acertos, Lula não só demonstrou ser a figura política mais importante do Brasil no último século, mas também da América Latina.
Porque, para o bem ou para o mal, Lula governou para o povo e não para a classe escravocrata que sempre compra e sequestra tudo, desde os capitais até os créditos por qualquer progresso científico, tecnológico, social, ético ou moral.
Porque, com suas limitações, ele não vacilou em condenar o genocídio mais brutal do século, negado pelas maiores potências mundiais, pela hipocrisia de seus fantoches e pela covardia, medo ou interesse mesquinho de muitos dos que estão abaixo.
Porque é um exemplo necessário que o mundo deve considerar quando todos vivem pendentes do ego de um milionário nascido milionário e sem emoções, além de seu próprio narcisismo, seu sadismo social e seus desejos sexuais e do poder ilimitado dos donos do chicote.
Jorge Majfud, agosto de 2025.
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