Articulação alerta indústria da moda contra os impactos do Pacote do Veneno

O algodão é a quarta cultura que mais utiliza agrotóxicos. E o eucalipto, matéria prima da viscose, está entre os grandes consumidores desses produtos venenosos

Foto: Pixabay.

Grupos militantes da moda sustentável querem alertar a indústria do setor para os impactos – locais e globais – dos agrotóxicos, que podem piorar com a aprovação do chamado Pacote do Veneno. Depois de repousar na Câmara desde 2018, em meio a um ambiente desfavorável para a sua aprovação, o Projeto de Lei 6.299/2002, de autoria do então senador Blairo Maggi (PP-MT), voltou a tramitar, desta vez em regime de prioridade. O chamado pacote praticamente revoga a atual Lei dos Agrotóxicos.

Encabeçada pela ModeficaFashion Revolution e Rio Ethical Fashion, a petição online tem apoio de confecções sustentáveis, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo de Vestuário (CNTRV/CUT) e da Marcha das Margaridas, entre outros. Até a conclusão da reportagem havia mais de 22 mil signatários e deverá ultrapassar a meta de 25 mil.

Em entrevista à RBA, a fundadora e coordenadora da Modefica, Marina Colerato, disse que o objetivo da petição é fazer um alerta dos impactos dos agrotóxicos e da gravidade esperada caso a matéria seja aprovada. “O algodão e a viscose, matérias primas de tecidos muito usados, recebem agrotóxicos em sua produção. Então a moda contribui para prejuízos ambientais e à saúde no campo.”

Agrotóxicos no algodão e na viscose

No país que é o maior mercado mundial de agrotóxicos, as lavouras de algodão estão em quarto lugar no consumo desses produtos. Antes dele, vêm soja, milho e cana-de-açúcar, o equivalente a 10% do total. O glifosato é o mais usado de todos.

Desinformação do consumidor

Os autores da petição lembram à indústria da moda alguns dos prejuízos contidos no Pacote do Veneno. Entre eles, a intenção de desinformar o consumidor. Ao tirar sinais de perigo dos rótulos e embalagens, mudar o nome “agrotóxicos” para “defensivos agrícolas” ou “produtos fitossanitários”, o objetivo de abrandar e até mesmo apagar as características tóxicas desses produtos fica claro.

Também há sérios riscos à saúde dos trabalhadores agrícolas. Destacam um estudo de 2018, com mulheres expostas ao glifosato em Uruçuí, no Piauí, onde são cultivados soja, milho e algodão. A conclusão foi que uma em cada quatro grávidas da cidade sofreu aborto espontâneo e que 83% das mães tinham o leite materno contaminado.

O aspecto econômico fica por conta do aumento de restrições da União Europeia e dos Estados Unidos aos agrotóxicos, dos quais muitos foram ou estão para ser banidos. Isso aponta para a necessidade de redução do uso desses produtos. Se não for pela preocupação ambiental, será pelo risco de perder mercados compradores, como afirmam os autores.

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