Todo dia é um barraco diferente em Santa Catarina por conta da vinda de Carlos Bolsonaro para o Estado (leia mais aqui e aqui). Agora, foi a deputada estadual mais votada, Ana Campagnolo, quem partiu para o ataque, em longas postagens que explicavam o que aconteceu na construção das chapas de disputa ao senado na corrente bolsonarista. A antifeminista foi tomada por aquilo que nós, feministas, chamamos de sororidade, a união de mulheres.
Os ataques são duros, mas em voz mansa e disciplinada. Campagnolo é antifeminista e se comunica com muita agressividade com seus desafetos. É uma das representantes mais virulentas da bancada bolsonarista na Assembleia Legislativa e, embora pareça mais preocupada em vender livros do que em legislar, tem um público fiel de aliados.
Caroline De Toni tem perfil parecido, exceto pela forma de comunicação. Embora fale absurdos em série, não levanta o tom de voz e também não costuma atacar tão diretamente seus rivais e inimigos, traço característico de Ana. Ambas são crias de Olavo de Carvalho e é muito curioso ver o antifeminismo tomando seu rumo e isolando duas lideranças mulheres num partido que odeia mulheres.
Nesta sexta, Ana explicou a uma seguidora que o PL dividiu as vagas de candidatura ao Senado com o PP e, por isso, De Toni perdeu espaço para o Carlos. Carluxo não aceitou: “absolutamente nada do que essa menina está falando é verdade. Quanta baixaria! Lamentável!”.
A treta seguiu. “Esperava mais respeito da sua parte”, disse Ana, iludida de que Carluxo seja capaz de respeitar alguém. “Se estou mentindo, por que a deputada Carol mencionou a possibilidade de sair do PL?”. De fato, DESTA VEZ, exclusivamente, a deputada disse a verdade. Ela prosseguiu alertando ao vereador do Rio de Janeiro de que o PL local é bem organizado. E pediu, encarecidamente, que a chegada do ex-amigo não seja marcada pela desunião.
Carluxo conquistou uma rival de peso. Além de votos, Ana Campagnolo tem uma base eleitoral fortíssima e elegeu uma bancada de vereadores espalhados pelo Estado. Isso não é um elogio – para mim, ela representa o que existe de pior na política nacional, talvez ao lado da própria família Bolsonaro no ranking de maldades. Não à toa acaba de lançar um livro com Nikolas Ferreira.
Com a tensão aumentando dia a dia entre os bolsonaristas locais, Jorginho Mello também fez seu papel: está buscando uma plataforma política própria, ancorada num elemento central para o bolsonarismo que é a simplificação da agenda da segurança pública.
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