
Por Néstor Prieto.
O ex-presidente colombiano, Álvaro Uribe Vélez (2002-2010), foi condenado nesta sexta-feira, 1º de agosto, a 12 anos de prisão domiciliar pelos crimes de “fraude processual” e “suborno em processo penal”. O chamado “julgamento do século” na Colômbia resulta em uma sentença que ainda pode ser apelada ao Tribunal Superior de Bogotá pela defesa do ex-presidente.
A juíza Sandra Liliana Heredia, do Tribunal Penal número 44 de Bogotá, considerou o ex-presidente culpado após um processo judicial que durou mais de 13 anos. A investigação se concentrou na manipulação e suborno de testemunhas para fazê-las se retratar de declarações ligando Uribe a grupos paramilitares colombianos.
Esta é a primeira condenação criminal de um presidente na história moderna da Colômbia. Um marco que aprofunda a polarização que o país vive no período que antecede as eleições presidenciais de maio de 2026.
Álvaro Uribe, um legado polariza a Colômbia
A condenação de Uribe é especialmente relevante porque o influente ex-presidente continua a desempenhar um papel ativo na política nacional e internacional. Uribe foi o único presidente a governar a Colômbia por dois mandatos consecutivos (2002-2006 e 2006-2010).
Seus oito anos no poder foram marcados economicamente por um aumento no preço das commodities — matérias-primas — o que favoreceu um crescimento econômico significativo no país com um crescimento médio de 4,5% do PIB.
Na frente social, o governo de Álvaro Uribe Vélez promoveu uma profunda militarização da vida nacional sob a promessa de derrotar a guerrilha, especialmente as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o Exército de Libertação Nacional (ELN). A estratégia de “segurança democrática” expandiu a presença do exército nas áreas rurais, fortaleceu a cooperação com os Estados Unidos por meio do Plano Colômbia e priorizou a ofensiva militar em detrimento do diálogo político.
Embora essas medidas tenham conseguido reduzir substancialmente a capacidade operacional dos principais grupos armados e a taxa geral de violência, o custo humano foi alto: segundo a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), entre 2002 e 2008, pelo menos 6.402 civis foram executados extrajudicial e falsamente apresentados como guerrilheiros mortos em combate, nos chamados “falsos positivos”. Esse padrão sistemático de violações dos direitos humanos deixou uma ferida profunda nas comunidades rurais e questionou o escopo e a legitimidade das conquistas militares de seu governo.
Uribe, de 73 anos, é considerado uma das principais referências da direita e da extrema-direita dentro e fora da Colômbia. Sua animosidade aberta em relação a Hugo Chávez – presidente da Venezuela durante seu mandato – permitiu-lhe consolidar sólidas alianças com setores do Partido Republicano nos Estados Unidos.
Esses vínculos persistem até os dias atuais, e figuras como Marco Rubio, secretário de Estado da Casa Branca, declararam na rede social X – antigo Twitter – que “o único crime do ex-presidente colombiano Uribe foi lutar incansavelmente e defender sua pátria”.
Tradução: Deepl com supervisão do Portal Desacato.
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