Além de Linn da Quebrada: cantoras trans e negras para não tirar da playlist

Jup do Bairro, MC Xuxu e Danna Lisboa estão na lista

Imagem: Reprodução

Por Henrique Nascimento

Na próxima quinta-feira (21), após viajar o mundo, estreia nos cinemas brasileiros o filme Bixa Travesty, documentário dirigido por Claudia Priscilla e Kiko Goifman que retrada a recente, mas explosiva carreira de Linn da Quebrada.

Moradora da Zona Leste, uma das regiões mais marginalizadas de São Paulo, a artista começou a despontar em 2016, com o lançamento dos singles Talento e Enviadescer. No ano seguinte, teve o início de sua carreira retratado em Meu Corpo É Político, documentário de Alice Riff, e divulgou uma campanha de financiamento coletivo para lançar seu primeiro álbum, Pajubá, que saiu em outubro do mesmo ano.

Com o sucesso, realizou turnês internacionais, apresentou-se no Rock in Rio, estreou como atriz, ganhou seu próprio programa de entrevistas, o TransMissão, e passou a fazer parte do elenco de Segunda Chamada, série sobre educação da Rede Globo. Recentemente, enquanto se prepara para lançar um novo disco, Linn divulgou o clipe de Oração, single com a participação de Liniker Barros, da banda Liniker e os Caramelows, que conta com uma homenagem a mulheres trans.

Inspirados por Linn e em celebração ao Dia Nacional da Consciência Negra, em 20 de novembro, apresentamos uma lista com dez mulheres trans e negras para incluir em suas playlists e nunca mais tirar. Confira:

Jup do Bairro

Após parceria com Linn da Quebrada, Jup do Bairro investe em carreira solo (Jeferson Delgado/Instagram)

 

Quem acompanha Linn da Quebrada, já deve conhecer a companheira de longa data da cantora, Jup do Bairro. Ela é a segunda voz de Pajubá, divide a apresentação do TransMissão com a colega e também está em Bixa Travesty. Além disso, Jup agora investe em uma carreira solo.

Está previsto para junho de 2020, o EP visual Corpo Sem Juízo, produzido a partir de financiamento coletivo. A primeira música, que intitula o EP, já foi disponibilizada e conta com falas da escritora Conceição Evaristo e da estudante de artes Matheusa Passareli, trans não-binária morta em abril de 2018.

 

MC Xuxu

MC Xuxu é representante do funk no cenário musical trans (Instagram)

 

“As gay, as bi, as trans e as sapatão, o clã tá formado pra fazer revolução”, canta MC Xuxu em O Clã, um de seus primeiros trabalhos, lançado em 2017. A artista de Juiz de Fora é uma mulher trans, negra e periférica e faz questão de falar disso em suas músicas. Em seu primeiro álbum, Senzala, ela também fala sobre independência, desapego e traz uma nova versão de O Clã, além de participações das artistas trans Danny Bond e Pepita.

 

Danna Lisboa

Danna Lisboa é cantora, compositora, atriz, dançarina e mãe de uma casa de vogue (Instagram)

 

Além de cantora, Danna Lisboa é compositora, atriz, dançarina e mãe da Casa Besher, uma espécie de time que disputa as modalidades do vogue, dança estilizada performada em bailes gays de Nova York e popularizada na década de 1980 após o sucesso homônimo de Madonna.

A primeira música de trabalho de Danna foi Trinks, lançada em 2016, e, no ano seguinte, a artista lançou seu primeiro EP, Ideais, que inclui uma colaboração com a drag queen Gloria Groove em QuebradeiraCensura, último lançamento de Danna, fala sobre a marginalização de mulheres trans em relacionamentos amorosos.

Mel

Ex-membro da Banda Uó, Mel agora se lança em carreira solo (Instagram)

 

Você já deve conhecê-la como Candy Mel, a líder feminina da Banda Uó. No entanto, após o grupo de pop tecnobrega anunciar seu fim, em 2018, ela abandonou e agora investe em carreira solo apenas como Mel.

Seu primeiro projeto ainda está em desenvolvimento, mas a artista já divulgou dois vídeos que misturam poesia e música, intitulados Cabelo O Medo. A cantora também participou da música Transbordar, do EP solo de Tchelo Gomez, membro do grupo de rap LGBTQIA+ Quebrada Queer.

Urias

Urias lançou seu primeiro single, Diaba, em 2019 (Instagram)

 

Famosa após divulgar covers para as músicas Ice Princess, da rapper Azealia Banks, e Você Me Vira a Cabeça, de Alcione, Urias foi convidada por Pabllo Vittar a participar da música Ouro, presente no segundo álbum da drag queen, Não Para Não, e, em 2019, lançou Diaba, seu primeiro single original que já conta com 4 milhões de visualizações no YouTube e concorre em três categorias do m-v-f- awards 2019, premiação especializada em videoclipes, além de seu primeiro EP, Urias.

 

Danny Bond

Do nordeste, Danny Bond mistura o funk e o tecnobrega em suas músicas (Instagram)

 

De Macéio, Alagoas, Danny Bond já está em cena há um tempo, sendo uma das principais representantes do movimento trans na música. Com um misto de funk e tecnobrega e um sotaque nordestino, a artista lançou seu primeiro álbum, Epica, em 2017.

Ela também participou de Missa, música presente em Senzala, disco de estreia de MC Xuxu, e, após sucessos como TchecaEu Gosto é de Dar, com a drag queen Kaya Conky, e Loka de Pinga, com a também drag Kika Boom, Danny Bond lançou, em maio, o single Tiroteio da Trava.

 

Rosa Luz

Rosa Luz começou como youtuber antes de investir no rap (Instagram)

 

De Brasília, Rosa Luz tem 23 anos e começou no YouTube, com o canal Barraco da Rosa, antes de lançar seu primeiro álbum, Rosa Maria Codinome Rosa Luz. Na sua carreira, tanto como youtuber quanto rapper, Rosa Luz traz a sua experiência como uma mulher trans, negra e de periferia e, na música, cria suas melodias em cima de ritmos de origem africana.

Além do EP, também lançou singles como Sanguinária e O Carnaval Que Elas Querem, gravou um disco ao vivo no Estúdio Showlivre e participou do documentário Chega de Fiu Fiu, produzido pela ONG feminista Think Olga, que retrata o assédio sofrido por mulheres e a resistência através da arte e do ativismo.

 

Monna Brutal

Monna Brutal lançou primeiro álbum em 2018 e está no EP Alegoria, de Gloria Groove, lançado no último dia 12 (Instagram)

 

Monna Brutal também é uma representante do rap na comunidade trans. Da periferia de Guarulhos, na Grande São Paulo, a artista é envolvida desde muito nova com o hip-hop e herda a facilidade em fazer versos das batalhas de rap que costumava participar. Ela mesma organizou, por dois anos, a Batalha da Aldeia, no Jaçanã, na Zona Norte de São Paulo.

Monna lançou seu primeiro álbum, 9/11, em outubro de 2018, e trata temas como transfobia e machismo na produção. Ela também participou da música Magenta Ca$h, presente no novo EP da drag queen Gloria Groove, Alegoria, lançado na última terça-feira (12).

Alice Guél

Alice Guél fala sobre pessoas transvestigeneres no seu trabalho (YouTube)

 

A obra de Alice Guél trata, majoritariamente, do papel de pessoas transvestigeneres, termo que utiliza para se referir a identidade de gênero de travestis, pessoas trans e não-binárias, na sociedade. Seu primeiro trabalho foi Alice no país que mais mata travestis, lançado em 2017, e trouxe uma de suas músicas mais emblemáticas, Deus É Travesti.

Em breve, a cantora deve lançar um novo trabalho pelo selo musical Trava Bizness, primeira gravadora focada em artistas transsexuais do mundo. O primeiro resultado da parceria foi a música Dancarê, lançada em abril deste ano.

 

MC Dellacroix

MC Dellacroix lançou primeiro álbum, #Dlcrx, em 2019 (Instagram)

 

MC Dellacroix é de Campinas e usa do rap para falar sobre transfobia, racismo, religião, exclusão social, entre outros assuntos. Seu primeiro single foi QUEBRada, lançado em 2017, e, neste ano, a rapper lançou seu primeiro álbum, #Dlcrx, que deve ganhar uma segunda parte no futuro.

Além da música, ela também investe na Casa Chama, uma associação cultural e de cuidados a pessoas LGBTQIA+ de São Paulo, da qual é co-fundadora e produtora artística.

 

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