Meninos, ainda tão meninos pretos, pobres, dos morros – arrancados da infância, da escola – sob a vulnerabilidade imposta.
São filhos das mães pretas, pobres, violentadas pelos cruéis homens endinheirados, dos ternos bem alinhados e abotoados.
Que as obrigam a sobreviver nos lugares indesejados, em meio a insalubridade e a violência de estado.
Gestado, manipulado e partilhado entre políticos, milicianos e o crime organizado.
Privilegiados, nutrem-se por dentro dos quartéis, dos gabinetes, restaurantes e condomínios de luxo.
Hipócritas, ocupam os púlpitos e tribunas com a desfaçatez e mentiras, enquanto – nos morros e favelas – os meninos, ainda tão meninos, são caçados.
Corpos meninos, ainda tão meninos, trucidados e profanados
pelas mãos e fuzis dos agentes de estado.
Eles produzem a morte dos corpos meninos, ainda tão meninos, enfileirados – sobre o sangue e lágrimas nas calçadas.
Corpos meninos, ainda tão meninos, expostos aos ambientes públicos – midiáticos – cruentos, danosos e intoxicados.
Até quando?
Porto Alegre (RS), 31 de outubro de 2025.
Roberto Liebgott
Cimi Sul – Equipe Porto Alegre

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