
Por Sebastião Costa.
Falar de um Brasil consciente, racional, sensível. E falar de outro Brasil guiado por sentimentos. De ódio, rancor, sem uma fagulha de sensibilidade.
Aquele Brasil que assistiu ao filme de Walter Salles ficou revoltado com a violência de um regime que prendeu, torturou e assassinou o pai de uma família que vivia uma rotina de plena felicidade. Esse Brasil é o mesmo Brasil que foi às ruas gritar por Diretas Já!
O outro Brasil é aquele que foi aos quartéis exigir Ditadura Já!
O Brasil cheio de sentimentos foi à TV, ao rádio, às ruas acreditando e vibrando com a vitória do filme.
O Brasil insensível trancou-se no seu rancor e torceu contra o sucesso do filme. Um filme que escancarou as entranhas de um regime que extrapolou todos os limites de brutalidade, praticando o requinte de algemar/prender uma criança e jogando na solitária uma mulher sem culpas e sem defesa.
E o Brasil do ódio, com ódio do filme porque jogou na cara do mundo as atrocidades praticadas por cidadãos brasileiros protegidos pela farda, pelas armas. Cidadãos brasileiros que deveriam proteger os cidadãos brasileiros.
O olhar do Brasil consciente enxergou para além das perversidades físicas praticadas nos porões infectos daquele regime. A sensibilidade desse Brasil enxergou e sofreu com a ruptura violenta da harmonia de uma família que se interagia num clima de muita paz, alegria e plena felicidade.
O Brasil que torceu contra é aquele do “Deus, Pátria e Família”.
O Brasil que ama a PÁTRIA é aquele que comemorou o prêmio com muita euforia, rezou a DEUS pela vitória do filme e sentiu profundamente as torturas sofridas pela FAMÍLIA de Eunice.

Sebastião Costa é colunista do Brasil 247.
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