A dor do racismo estrutural no cotidiano. Por Samuel Lima

Classificado pelo IBGE como "pardo", permaneço invisível, como também invisível é o lugar vazio ao meu lado.

Imagem: Reprodução.

Por Samuel Lima no seu Facebook.

Há muitos anos, a cena se repete como o estalar de um chicote numa ferida d’alma que jamais cicatriza: no transporte coletivo lotado, sento-me cercado de pessoas brancas, mas o assento ao lado vazio – e assim permanece.
Eu, caboclo da beirada do rio Tapajós (de Santarém, oeste do Pará), cuja ancestralidade é uma mistura de sangue de população ribeirinha da Amazônia e indígena, classificado pelo IBGE como “pardo”, permaneço invisível, como também invisível é o lugar vazio ao meu lado.
Esta é uma realidade que se apresenta, dia sim e no outro talvez, na minha labuta cotidiana para o trabalho (e da UFSC para minha casa). É uma dor silenciosa, bruta, indizível. O vírus do racismo estrutural que está no DNA da sociedade patriarcal e escravista brasileira segue vivo, inexpugnável, sem “vacina” à vista. É tão hediondo quanto natural…
Busco força espiritual e inspiração pra seguir lutando nas palavras cálidas e arrebatadoras de Maya Angelou, poeta, escritora, ativista, biógrafa, bailarina, cantora, performer, contadora de histórias, ensaísta e compositora negra:
“Você pode me disparar com suas palavras,
pode me cortar com seus olhos,
pode me matar com seu ódio,
mas, ainda assim, como o ar,
eu me levantarei”.
Segue a vida, e a luta, amigas e amigos amados!!!

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