Por Marcos Aurélio Gomes Ribeiro.A Marcha para Jesus deveria ser um espaço de celebração da mensagem de amor, solidariedade e justiça social ensinada por Jesus Cristo. No entanto, em muitos momentos, transforma-se em palco para discursos políticos conservadores e alianças com setores da extrema-direita, cujas pautas frequentemente contradizem os valores centrais do Evangelho. A presença do senador Flávio Bolsonaro e de seus aliados no palanque do evento reforça a instrumentalização da fé para fins políticos e eleitorais. Mais uma vez, a família Bolsonaro utiliza a religião como ferramenta de mobilização, explorando a crença e a religiosidade popular em benefício de seus próprios interesses.
Jesus não pregou o ódio, a intolerância ou a violência. Sua revolução foi construída pelo amor, pela defesa dos pobres, dos marginalizados e dos perseguidos, jamais pelas armas de fogo ou por políticas armamentistas que contribuem para a morte de milhares de pessoas, inclusive crianças, no Brasil e no mundo. Também causa inquietação a presença de bandeiras do Estado de Israel em meio ao sofrimento do povo palestino. O apoio incondicional a governos e projetos de poder que promovem guerras, ocupações militares e destruição está muito distante dos ensinamentos de Cristo. As políticas belicistas conduzidas por Israel e pelos Estados Unidos no Oriente Médio têm produzido mortes, deslocamentos forçados e sofrimento humano em larga escala, alimentando tensões que ameaçam a paz mundial e podem empurrar a humanidade para conflitos cada vez mais amplos e perigosos.
Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: se Jesus voltasse hoje, será que muitos desses líderes políticos e religiosos o reconheceriam, ou repetiriam a atitude dos fariseus que perseguiram e condenaram aquele que anunciava uma mensagem de amor, justiça, paz e libertação para os oprimidos?
Marcos Aurélio Gomes Ribeiro – Professor de História contemporânea do Brasil
Instagram: @Marcoszadoque
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