Cigarro, o maior assassino da história da humanidade

O maior assassino de que se tem notícia na história da humanidade segue por aí, livre, leve e solto

Getty Images

Por Sebastião Costa.

Fuzis, metralhadoras, bombas e bazucas retiraram do nosso convívio 63 milhões de viventes durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.

Já as toxinas do vírus Influenza em apenas dois anos promoveram, durante a pandemia da Gripe Espanhola, a maior concentração de mortalidade que se tem notícia da face da terra: 40 milhões de viventes foram transferidos para o outro mundo nos anos 1918-1919.

Junte-se todos os fuzis, metralhadoras, bombas e bazucas das duas grandes guerras com as toxinas do Influenza e confronte-se com o benzopireno, formaldeídos, amônia, monóxido de carbono, níquel, substâncias radioativas, polônio 210, arsênio, a nicotina… da fumaça do cigarro na sua capacidade de promover mortalidade.

Vamos racionalizar: A pandemia do vírus começou em 2019; a Primeira Guerra Mundial iniciou-se em 1914 e a paz da Segunda Guerra foi comemorada em 1945. Numa conta simples, vai-se observar que essas três tragédias ocorreram num intervalo de 31 anos.

Considerando que a fumaça do cigarro retira todo ano do nosso convívio cerca de 8 milhões de notínico-dependentes, vamos concluir que no espaço de 31 anos aquelas substâncias produtoras de Infarto do miocárdio, enfisema pulmonar, câncer de pulmão e outras 50 patologias, apresentam um potencial mortífero muito mais elevado do que as toxinas do vírus Influenza em conjunto com bombas, bazucas e as balas de fuzis e metralhadoras das guerras mundiais.

Com um detalhe cruel: O maior assassino de que se tem notícia na história da humanidade segue por aí livre, leve e solto a produzir muita hipertensão, muitas tromboses, infartos e AVCs; jogando em pulmões indefesos muitos enfisemas e bronquites; e as mais de sessenta substâncias cancerígenas promovendo um festival de carcinomas na boca, laringe, esôfago, útero, ovário, pulmão… e muitas mortes e choros e sofrimentos.

Ponha-se ainda nessa conta os imensos prejuízos aos cofres do Serviço Público (153 bilhões/ano) e o ataque ao orçamento das operadoras de saúde.

É, portanto, muito sensato que nesse 31 de maio, Dia Mundial Sem Tabaco, a sociedade adquira a consciência de que é indispensável se refletir sobre a necessidade de ampliar o combate ao tabagismo para além das ONGs e agentes de saúde. É indispensável que professores e pais de jovens, políticos comprometidos com o bem-estar da população, gestores de Planos de Saúde e todo cidadão com alguma sensibilidade social possa oferecer sua contribuição para reduzir as muitas mortes, os muitos choros e os muitos sofrimentos promovidos pelo maior ASSASSINO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE!!!

Sebastião Costa é médico pneumologista, Presidente do Comitê de Tabagismo da AMB-PB, escritor e apresentador do programa Ar Puro no Portal Desacato

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