O 1º de maio tem futuro como símbolo da luta da classe operaria?

Por Partido Comunista Brasileiro de Santa Catarina.

O 1° de maio tem futuro como símbolo da luta da classe operaria? Conhecer um pouco da história das suas manifestações atuais, nos ajuda a entender os rumos do futuro.

O pequeno barracão de artesãos se transformou em gigantes construções que abrigam máquinas e pessoas. Nascem os operários, aqueles que operam as máquinas. No final do século XVIII, desenvolve-se a revolução industrial. E qual era a condição de vida dos operários e suas famílias nesses primórdios do capitalismo? Era a pior que imaginamos:
trabalho insalubre, longas jornadas e fome. Muita fome!

Os operários demoraram décadas para criar suas associações e seus sindicatos para se defender. Em 1864 ocorre uma primeira reunião internacional organizada por trabalhadores vindo da Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Suíça… Em 1889, em julho, em Paris, realiza-se o primeiro congresso, conhecido como a Segunda Internacional. Entre as primeiras lutas, os operários inventam as greves: a luta pela redução da jornada de trabalho para 8 horas e o 1° de maio.

A invenção do 1° de maio está relacionada aos encontro internacional sendo que na resolução final consta:

“Declaramos que a limitação da jornada de trabalho é a condição prévia, sem a qual todas as demais aspirações de emancipação sofrerão inevitavelmente um fracasso. Propomos que a jornada de 8 horas seja reconhecida como o limite.”

E surgem as primeiras formas de luta da classe operária. A pergunta que fica: você não tem nada a ver com essas lutas, não opera mais máquinas, portanto não é mais operário, operária? Quantas horas se trabalhava nas fábricas nos primórdios do capitalismo? Simples: quantas o patrão determinava. Ele queria o máximo, 12 horas, 14 horas e até 18 horas por dia, 365 por ano até morrer de exaustão.

As lutas pela redução da jornada de trabalho se tornam mundiais, mas na prática estava bem difícil de obter essa conquista. As lutas em favor do 1° de maio alcançam também os EUA. Em 1886, após muita preparação explodem greves isoladas muito reprimidas pela polícia. Na véspera do dia 1° de maio aparecem panfletos sob as portas das casas dos operários: A partir de hoje nenhum operário deve trabalhar mais de 8 horas por dia. 8 horas de trabalho, 8 de descanso e 8 de lazer!

Muitas fábricas aparecem vazias, nesse país, porém nem todos param. Após a organização de um piquete, de madrugada há um confronto e 7 operários são mortos pela polícia e guardas da fábrica. Enquanto os operários choram pelos seus mortos, novos conflitos surgem. 7 operários são presos. Cinco deles, Parsons, Engel, Fischer, Lingg e Spies são condenados à forca. Dois, Fielden e Swab à prisão perpétua e um, Neeb, a 15 anos de prisão. Era preciso dar uma lição nesses terroristas que exigiam a reivindicação criminosa de trabalhar só 8 horas por dia!

O 1° de maio de 1886 trouxe inúmeros mortos e feridos, mas não foram conquistadas as 8 horas. Em 1891 o movimento operário, num congresso, institui o 1° de maio como Dia
Internacional dos trabalhadores, a ser comemorado no mundo, independentemente de ser feriado ou domingo. E no ano seguinte o governo do Estado de Illinois anula o processo inteiro dos “Mártires de Chicago” e declara todos inocentes. No entanto, até 1900 nenhum operário, seja inglês, francês ou americano tinha conquistado as 8 horas de trabalho. Elas começam a ser instituídas, pouco a pouco, após quase 100 anos de forças em luta dos trabalhadores contra o capital.

Ao longo dos anos podemos dizer que o 1° de maio tem sido de tudo um pouco. Demonstração de força: se não trabalhamos, não produzimos mais-valia; comemoração da conquista de direitos ou valorização salarial; ou ainda afirmação da unidade de ação de um movimento que busca consenso.

No Brasil, há mais um termo a acrescentar: a cooptação. Desde os anos 1930, no Governo de Getúlio Vargas, as forças em luta dominantes instituem o 1° de maio como sendo o dia do trabalho, não mais dos trabalhadores. A seguir, numa correlação de forças complexas, a data se converte, no Brasil e mesmo fora dele, numa espécie de data alegre, de concentração festiva: dia de sorteio de carro, dia de apresentação de show musical que esvazia e se distancia de seus princípios originais do 1° de maio.

A questão se o 1° de maio tem futuro, como expressão de luta dos trabalhadores: Essa breve síntese acerca da luta dos trabalhadores pela redução da jornada de trabalho, e pela construção do Dia Internacional dos trabalhadores evidencia ganhos, mas também banhos de sangue que não podem ser esquecidos. E tem mais, quantas horas você está trabalhando, por dia? Onde estão as suas horas de descanso e de lazer? Que significados podemos tirar da luta pelo fim da escala 6×1?

As forças em luta apontam para respostas complexas, marcadas por um forte recuo das lutas dos trabalhadores na atualidade.

“não há noite que

dure para sempre”
William Shakespeare

O FUTURO depende das lutas do presente!

Uma outra sociedade é possível

São frequentes afirmações que os principais problemas do Brasil incluem a desigualdade social, a fome, a falta de moradias dignas, deficiências na saúde e na educação pública que afetam a maioria dos trabalhadores.

Ainda que, num passe de mágica, fosse possível resolver esses problemas mudaria a situação do trabalhador moderno? Parece que não. Nada mudaria quanto à exploração do trabalho pelo capital. É no campo da luta de classes que a essência da sociedade burguesa se revela. Ademais, bem sabemos que, os capitalistas venderam sua alma ao diabo em troca de lucro, do poder de viver da riqueza produzida pelos operários sem nada dar em troca.

A forma burguesa de produzir riqueza que domina capital e trabalho leva à concentração de riqueza, a crises periódicas cada vez mais intensas e ao aumento da fome e da miséria. Ainda assim, prevalece na esquerda a ideia de que é preciso reformar as instituições da própria sociedade com mais direitos para os trabalhadores, redução da jornada de trabalho, garantias de emprego, mais saúde e educação. O trabalhador precisa perder ilusões. Nenhuma reforma social altera a essência da sua vida. A origem de todas as desigualdades sociais deriva da exploração de classes. A burguesia, a proprietária dos meios de produção, extrai mais valia do proletariado e acumula capital para se expandir e se reproduzir. Reside aí a origem da pobreza e da miséria avassaladora que assombram o mundo todo.

Cuba é um farol

Desde 1959, Cuba se tornou um farol para a América Latina ao romper radicalmente com a forma de vida capitalista. Os resultados da revolução socialista surpreendem o mundo. É o único país do ocidente que garante, gratuitamente, saúde, educação, moradia e alimentação a todas as pessoas. Seu Índice de Desenvolvimento Humano tem sido superior ou muito próximo ao do Brasil.

Cuba é referência mundial em saúde e se compara a nações desenvolvidas, segundo dados da UNICEF. Cria um projeto educacional considerado um dos melhores da história recente, de acordo com a UNESCO. Não há favelas e moradores de rua. Além disso, existe segurança pública. A taxa de homicídios é a mais baixa do Caribe e da América Sul.

É PRECISO VER CUBA! Para compreender os incríveis índices sociais da sociedade cubana não basta fazer comparações de dados. É necessário explicitar como se dá a organização da nova sociedade a partir da revolução, ainda que de modo breve.

Um exemplo formidável desse processo é o plano de alfabetização de 1961. Com o lema aquí se puede, crianças e adultos de todo país são alfabetizados pelas Brigadas Nacionais de Alfabetização, da qual participam voluntariamente adolescentes. A campanha nacional de alfabetização, um dos pilares revolucionários para a criação da nova sociedade cubana, é atacada criminosamente pelo governo americano.

Trabalhadores, de pé!
Organizem-se e acumulem
forças. Está dado o caminho
para a construção de uma
sociedade do futuro.

Além de assassinar alfabetizadores, a chamada Operação Peter Pan desencadeada entre 1960/62, promove o rapto de 14.000 mil crianças e adolescentes. Eles são levados, via aérea, para os Estados Unidos e alojadas em igrejas, casas de famílias americanas e de cubanos emigrados. Agentes americanos aliados a cubanos contrarrevolucionários, mediante hediondas mentiras, convencem famílias a entregarem seus filhos devido ao medo aterrorizante de que Fidel Castro, as sequestrariam e as confinariam num campo de doutrinação comunista.

Por outro lado, vencida essa fase tenebrosa, Cuba cria, dentre outras coisas, um sistema único de saúde com três instâncias interligadas e coordenadas coletivamente. Na primeira, situam-se as unidades de saúde dos bairros. Médicos de família cuidam de pessoas de todas as idades, levando em conta, o contexto familiar e social. Na segunda, trabalham médicos especializados nas diversas áreas da medicina. A terceira instância recebe doentes que necessitam de internação psiquiátrica, cirurgia e demais procedimentos complexos, tendo o médico da família como referência sempre. Tudo isso gratuitamente, inclusive medicamentos.

O cuidado com órfãos também é humanizado e exemplar, são abrigados em instituições públicas com infraestrutura completa.

Os relatos, ainda que poucos, evidenciam uma dupla dimensão. De um lado, a grandiosidade do movimento revolucionário que culmina com a instauração do socialismo cubano e do movimento contrarrevolucionário criminoso desencadeado pelo império americano, que persiste até hoje. Cuba evidencia que somente a força coletiva de um povo cria a possibilidade histórica da emancipação humana. Não há outra alternativa.


Descubra mais sobre Desacato

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here
Are you human? Please solve:Captcha


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.