
A vice-presidente do PT de Florianópolis, Bia Vargas, avaliou o cenário para as eleições de 2026 como desafiador, destacando tanto fatores nacionais quanto internacionais que influenciam a disputa política. Em entrevista ao JTT, do Portal Desacato, a dirigente apontou que o campo progressista enfrenta dificuldades não apenas na comunicação das ações do governo, mas também diante de um contexto global marcado pelo avanço de forças conservadoras.
“A leitura é muito direcionada nessa dificuldade”, afirmou, ao mencionar que os reflexos do cenário internacional também impactam diretamente o Brasil. Segundo ela, esse ambiente exige atenção e organização, especialmente em um estado como Santa Catarina, onde a polarização política tende a se manter intensa.
Ao comentar as mobilizações recentes da direita, como os atos do movimento “Acorda Brasil”, Bia reconheceu a existência de estrutura e organização, mas relativizou seus resultados. “Não dá para ignorar o nível de organização, mas também não dá para dizer que houve sucesso”, avaliou. Levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap indica que o ato realizado na Avenida Paulista reuniu cerca de 20,4 mil pessoas, um dos menores públicos recentes desse tipo de manifestação, ainda que mantenha presença nacional e articulação entre lideranças.
Para a dirigente, o desafio do campo progressista passa por uma lógica diferente de atuação. “Nosso objetivo é construir impacto real na vida das pessoas”, disse, ao defender que a estratégia do partido envolve diálogo, organização e construção coletiva, ainda que esse processo demande mais tempo e articulação.
Nesse sentido, Bia destacou que a prioridade do PT em Santa Catarina é a construção de unidade para enfrentar a extrema-direita. A dirigente afirmou que o partido está em diálogo com outras forças políticas, embora reconheça que esse processo não é simples e envolve diferentes interesses e leituras de cenário. “O nosso objetivo é construir essa unidade para fazer o enfrentamento”, afirmou.
Até o momento, a principal definição do partido é a pré-candidatura de Décio Lima ao governo do estado, nome já consolidado internamente. Outras possibilidades de composição ainda seguem em discussão, dentro de uma estratégia que busca ampliar alianças sem abrir mão da identidade política do partido. “A ampliação é bem-vinda, mas não pode descaracterizar o nosso projeto”, explicou.
Sobre a construção do programa de governo, Bia indicou que o processo está em andamento e envolve diálogo com a sociedade, análise de pesquisas e leitura do cenário político. Embora ainda sem detalhamento público de propostas, a dirigente reforçou que o foco é garantir políticas que impactem diretamente a população e ampliem direitos.
A entrevista também abordou o cenário eleitoral mais amplo, marcado por uma maior visibilidade das articulações da direita. Enquanto esse campo já apresenta nomes e movimentos mais definidos, o PT aposta na construção gradual de alianças e no fortalecimento de uma frente política mais ampla. Para Bia, essa diferença de ritmo reflete não apenas estratégias distintas, mas também prioridades políticas.
Ao final, a dirigente confirmou sua pré-candidatura a deputada estadual, destacando que o partido ainda passará pelos processos internos de homologação ao longo do ano. A expectativa, segundo ela, é que, até lá, o campo progressista avance na organização e consiga apresentar um projeto mais consolidado para o estado.
Em um cenário que tende à intensificação da disputa e da polarização, a entrevista aponta para um PT que reconhece os desafios colocados, aposta na construção coletiva e ainda está em fase de definição mais clara de seus caminhos para 2026.
Assista a entrevista completa no Youtube:
Descubra mais sobre Desacato
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





