O que Trump pretende fazer com Cuba tem nome: “G3NOCÍDIO”

No programa JTT de quinta, 12 de fevereiro, os jornalistas Rosangela Bion de Assis e Raul Fitipaldi entrevistaram o cônsul-geral de Cuba no Brasil, embaixador Benigno Pérez, que descreveu o atual cenário econômico e energético da ilha como resultado direto do endurecimento, ainda mais, das sanções estadunidenses e das dificuldades de acesso a combustíveis.

Segundo o diplomata, a situação energética tornou-se crítica devido às restrições impostas ao comércio de petróleo e às pressões sobre países que tradicionalmente fornecem combustível à ilha. Ele destacou que até parceiros como o México enfrentam forte pressão externa ao tentar manter relações energéticas com Havana. “Nosso governo foi obrigado a aplicar medidas extraordinárias para reduzir o consumo e afetar a população o mínimo possível”, afirmou. Ainda assim, alertou que a falta prolongada de combustível pode levar a consequências graves, incluindo paralisação hospitalar, interrupção de serviços básicos e riscos à vida da população.

O embaixador enfatizou que a escassez energética não é apenas uma questão econômica, mas humanitária. Hospitais enfrentam dificuldades para realizar cirurgias por falta de eletricidade, e pacientes encontram obstáculos até para se deslocar em busca de atendimento. Nesse contexto, ele classificou o impacto do bloqueio como uma política de “asfixia” que atinge diretamente civis.

Endurecimento do bloqueio e novas medidas em 2026

Pérez atribuiu a deterioração do cenário às decisões adotadas durante o governo de Donald Trump, que implementou mais de 200 sanções adicionais ao bloqueio criminoso. Entre as ações estruturais desse período estão sanções ao transporte de petróleo, restrições às remessas, punições extraterritoriais contra empresas estrangeiras e a reinclusão de Cuba na lista estadunidense de países patrocinadores do terrorismo.

O diplomata ressaltou, porém, que a pressão não cessou e voltou a se intensificar recentemente. Em 2026, novas medidas foram anunciadas por autoridades dos Estados Unidos com o objetivo de restringir ainda mais o abastecimento energético da ilha. Entre elas, destacam-se:

  • Aumento de tarifas e sanções secundárias contra países e empresas que vendam petróleo a Cuba, elevando custos comerciais e desestimulando fornecedores.

  • Ampliação de penalidades financeiras contra bancos e seguradoras envolvidos em operações de transporte energético para a ilha.

  • Pressão diplomática direta sobre governos que mantêm acordos de cooperação energética com Havana.

  • Monitoramento reforçado do transporte marítimo, com medidas para impedir o acesso de navios sancionados a portos internacionais.

Segundo Pérez, essas ações aprofundam o isolamento econômico e dificultam até mesmo transações humanitárias. Ele argumenta que o impacto é direto sobre a população civil, sobretudo nos setores de saúde, transporte e geração elétrica.

Apelo por solidariedade internacional

O diplomata também mencionou iniciativas e movimentos de solidariedade em diversos países, incluindo propostas de apoio energético vindas do Brasil. Ele afirmou que a cooperação internacional é crucial para evitar um agravamento da crise social e humanitária.

Para Pérez, a questão cubana permanece essencialmente política: trata-se, segundo ele, do direito de um país manter relações comerciais normais sem coerção externa, com respeito à sua soberania. A entrevista reforça a avaliação do governo cubano de que o bloqueio continua sendo o principal fator por trás das dificuldades atuais da ilha.

Assista à entrevista no vídeo abaixo


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