Ao meio-dia deste domingo, o Aeroporto Internacional de Ushuaia “Malvinas Argentinas” foi palco de um movimento incomum que despertou a atenção dos observadores e da imprensa local. Um Boeing C-40 Clipper, pertencente à Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), pousou às 11h22 na capital da Terra do Fogo, vindo da base militar Joint Base Andrews, em Maryland, com escala prévia na província de San Juan e em Buenos Aires.
A chegada não pode deixar de ser interpretada no contexto da relação íntima entre o presidente argentino Javier Milei e seu homólogo estadunidense Donald Trump. Ainda mais quando, desde 2024 até hoje, existe uma forte ligação entre o governo libertário e a administração republicana, ligada ao projeto da Base Naval Integrada, aos interesses logísticos sobre a Antártida e à denúncia da própria administração provincial de Gustavo Melella de que a intervenção do Porto de Ushuaia é para entregá-lo ao “Comando Sul”.
O rastro do “Reach”: dos arredores de Washington à Terra do Fogo
De acordo com os dados de rastreamento por satélite obtidos pela Agenda Malvinas do flightradar24.com, a aeronave operou sob o código de chamada RCH (Reach), uma denominação característica do Comando de Mobilidade Aérea dos EUA.

O voo partiu da Base Conjunta Andrews, uma instalação estratégica de segurança máxima conhecida mundialmente por ser a sede do Air Force One.
Na sexta-feira, 23, às 18h06, decolou de Andrews e, às 22h12, pousou em San Juan, Porto Rico. Às 23h36, decolou novamente e, às 8h40 de ontem, sábado, 24, chegou ao Aeroparque Jorge Newbery, na cidade de Buenos Aires.
No domingo, 25 de janeiro de 2026, o Boeing C-40 decolou do Aeroparque às 08h04 e às 11h22 pousou no aeroporto “Malvinas Argentinas” de Ushuaia.
Radiografia do Boeing C-40 Clipper: carga ou personalidades?
O Boeing C-40 Clipper não é um avião de transporte convencional. Baseado no projeto do 737-700C, esta aeronave é definida como um “escritório no céu” para altos comandantes militares e funcionários governamentais.
Ao contrário dos aviões de carga pesada, as versões B e C do C-40 — como o que chegou a Ushuaia — estão especificamente equipadas para o transporte de “personalidades”. Isso sugere que a bordo poderia estar uma delegação de alto nível do Pentágono ou do Departamento de Estado.
Um antecedente que gera suspeitas
A memória histórica da província é clara: a última vez que um avião militar com essas características pousou na cidade do Canal de Beagle foi para transportar o então chefe do Comando Sul dos EUA, o almirante Alvin Hosley. Num contexto global de crescente interesse pela Antártida e pelo controle das passagens bioceânicas, a presença de uma aeronave que responde diretamente à estrutura de comando em Washington não pode ser ignorada.
As perguntas sem respostas
Agenda Malvinas levantou as questões que os cidadãos e as autoridades deveriam considerar: Quem viaja a bordo? Qual é a agenda em Ushuaia? Sua presença tem relação com o projeto da Base Naval Integrada, os interesses logísticos sobre a Antártida ou a intervenção da administração nacional no porto?
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