Celso Amorim: Ataque dos EUA à Venezuela pode causar conflito regional como no Vietnã

o governo de Lula da Silva trabalhará para impedir que os ataques dos EUA ocorram e considera isso seu principal objetivo de política externa neste momento

Imagem do presidente Lula e o assessor Celso Amorim / Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Por Carmen Munari.

Uma invasão ou ataque dos EUA à Venezuela poderia mergulhar a América do Sul em um conflito semelhante ao do Vietnã, alertou o principal assessor de política externa do presidente Lula. Em entrevista ao Guardian, Celso Amorim classificou a recente decisão de Donald Trump de ordenar o fechamento do espaço aéreo venezuelano como “um ato de guerra” e expressou temores de que a crise possa se intensificar nas próximas semanas. “A última coisa que queremos é que a América do Sul se torne uma zona de guerra – e uma zona de guerra que inevitavelmente não seria apenas uma guerra entre os EUA e a Venezuela. Acabaria tendo envolvimento global e isso seria realmente lamentável”, disse Amorim.

“Se houvesse uma invasão, uma invasão real… acho que, sem dúvida, veríamos algo semelhante ao Vietnã – em que escala, é impossível dizer”, acrescentou Amorim, que achava que até mesmo alguns inimigos do líder autoritário da Venezuela, Nicolás Maduro, estariam inclinados a se juntar à resistência contra tal intervenção estrangeira. “Conheço a América do Sul… todo o nosso continente existe graças à resistência contra invasores estrangeiros”, afirmou Amorim, que previu que qualquer ataque dos EUA reacenderia o sentimento antiamericano na América Latina, semelhante ao gerado pela interferência dos EUA durante a Guerra Fria.

O assessor de política externa de Lula espera que Trump chegue a uma “solução negociada” com Maduro e que ainda fosse possível alcançar uma transição pacífica, apesar do clima cada vez mais beligerante.

O governo do presidente Lula está pedindo ao governo venezuelano que se abstenha de ações militares em resposta a uma possível agressão dos Estados Unidos, escreveu o jornal brasileiro Valor Econômico, citando assessores anônimos do líder brasileiro. O Brasil tem tentado persuadir a liderança venezuelana a “suavizar sua resposta” a possíveis ataques dos EUA ao território do país. O Brasil quer evitar uma nova escalada na região, diz o artigo.

Ao mesmo tempo, o governo de Lula da Silva trabalhará para impedir que os ataques dos EUA ocorram e considera isso seu principal objetivo de política externa neste momento. O líder brasileiro acredita que pode ser um mediador no conflito. Washington acusou Caracas de não fazer o suficiente para combater o contrabando de drogas, sem apresentar provas. De acordo com o The New York Times, o presidente Donald Trump autorizou a CIA a realizar operações secretas na Venezuela. A mídia americana tem repetidamente noticiado que Washington pode em breve começar a atacar alvos na Venezuela. (Tass)

Carmen Munari é jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produz o Focus 21, escreve e edita  textos de analistas.

 

 


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