
Mesmo sabendo que se tratava de um erro de expressão, a Quaest incluiu a pergunta em sua pesquisa como se a frase fosse uma declaração de princípio. O gesto, mais do que apurar opinião pública, revela uma clara intenção de inflamar o debate, reforçando uma falsa equivalência e explorando um deslize de fala para medir rejeição política.
É um caso emblemático de como a fronteira entre o fato e a manipulação de percepção se dissolve. Quando uma pesquisa se alimenta de um erro já corrigido e a mídia o transforma em manchete, o objetivo deixa de ser informar e passa a ser moldar a narrativa.
No fim, o número “81%” diz menos sobre o que o povo pensa e mais sobre o que certos setores querem que ele pense.
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