Lados opostos, mesma direção. Por Amanda Miranda.

Por Amanda Miranda.

À esquerda, a esquerda. À direita, a direita. Não, você não leu errado. Ou talvez tenha lido, sim. Paulo Bauer e João Rodrigues, figuras mais do que conhecidas na direita quando não havia sido sugada pelo bolsonarismo, estão, em lados opostos, representando projetos que caminham para um mesmo lugar. Calma, eu vou explicar.

Pré-candidato certo – Por enquanto, temos um único pré-candidato certo ao governo de Santa Catarina para 2026: o atual governador Jorginho Mello. Seu projeto de construção de alianças foi patrolado por uma figura exótica – a de Carlos Bolsonaro, que roubou uma vaga ao Senado como entes da sua família gostam de roubar joias. Isso dificultou a busca por alianças com partidos como o MDB, Progressistas e PSD, que não são peso morto e que têm um histórico forte nas disputas em todos os cargos eleitorais do Estado.

Para contemplar partidos representativos em uma aliança forte, Jorginho terá que oferecer cargos de vice ou ao Senado, que também conta com vagas de suplência. Mas não é um quebra-cabeça fácil, especialmente quando o processo é sequestrado pela doentia quadrilha bolsonarista. Ao mesmo tempo, isolar sua candidatura também pode ser uma ameaça, já que outros grupos estão agitando as peças e construindo suas alternativas também.

Pré-candidato (?) – João Rodrigues (PSD), hoje prefeito de Chapecó, é dos personagens destes grupos. Age como pré-candidato, mas não podemos dizer que é tão certo assim, embora um grande acontecimento na semana passada sinalize que seu projeto possa mesmo sair do papel. João recebeu apoio de Gilberto Kassab, grande articulador do partido e do centrão no Brasil, e de outras lideranças relevantes no país, como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, recém filiado ao PSD.

O evento ocorreu no dia da condenação dos golpistas e talvez tenha passado despercebido aos radicais de direita e aos militantes de esquerda, ocupados com o julgamento do Supremo Tribunal Federal. João disse que, embora fosse amigo de Jair Bolsonaro, achava que a população estava cansada dos extremos e assegurou que a eleição de 2026 se resolveria no equilíbrio. Disse, quase ao lado de Kassab, que o PSD lançaria Ratinho Junior como candidato a presidente, o que dificultaria uma aliança com Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de primeira hora do manda-chuva do PSD.

Foi um movimento calculado em direção a um “centro”. Quando João se lançou, o óbvio era vê-lo na rinha bolsonarista com Jorginho Mello, já que sempre adotou um discurso ultra-conservador, de dar urticária. Seus gestos mais recentes, no entanto, mudam a direção.

As dúvidas são se João vai se manter como candidato e ele precisa decidir em tempo de se descompatibilizar do cargo de prefeito. Uma alternativa a isso, para o PSD, seria se coligar com Jorginho Mello, como defende o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto. Neste cenário, ou pegaria candidatura a vice ou ao senado, que já tem uma vaga comprometida e rifada ao Carluxo.

Em qualquer dos cenários, João Rodrigues não nega seu apreço a Bolsonaro, amigo de longa data. Mas percebeu que buscar seduzir o eleitor mais radical também não será uma boa ideia. O cálculo, de alguma forma, parece estar mudando.

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