
Por Pablo Moscatelli.
Essa concessão começa entregando as ruas e as vias públicas; depois, com Cícero no governo, poderá se transformar em pedágios nas rodovias estaduais. Entregar por 30 anos uma concessão sem exigir contrapartidas para benefício coletivo é ilógico.
Entregar o estacionamento rotativo e a zona azul de João Pessoa a uma empresa privada por 30 anos é um absurdo político e social. O centro da cidade está deteriorado: ruas esburacadas, calçadas intransitáveis, prédios históricos em ruínas. Em vez de investir no patrimônio público, o prefeito prefere abrir mão da única fonte de arrecadação capaz de financiar essa recuperação, entregando-a ao lucro de poucos.
Essa prática repete o velho modelo neoliberal dos anos 1990: privatizar o que é público sem contrapartida social, mantendo o povo como mero pagador de tarifas e o capital privado como único beneficiário. O discurso da “modernização” esconde a entrega do bem comum e a perpetuação no poder através da manipulação dos meios de comunicação.

Mas existem alternativas para revitalizar o centro sem entregar o estacionamento rotativo e a zona azul a uma concessão privada. A prefeitura poderia, por exemplo, criar uma gestão pública eficiente e transparente do sistema, destinando diretamente os recursos arrecadados para:
Revitalização das calçadas e espaços públicos,
Programas de mobilidade urbana sustentável, e acessível,
Incentivo ao comércio local com melhorias estruturais,
Reforço da segurança e iluminação no centro,
Criação de áreas culturais e de convivência que atraiam moradores e turistas.
Com planejamento, fiscalização, diálogo sicial e vontade política, João Pessoa pode recuperar seu centro histórico e sua mobilidade sem abrir mão de receitas fundamentais nem subordinar o espaço público à lógica do lucro privado.

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