CELAC se manifesta contra avanço militar dos EUA no mar Caribe

Foto: Yahoo Notícias

A Colômbia, que ocupa a presidência pro tempore da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), liderou nesta segunda-feira uma reunião virtual extraordinária de ministros das Relações Exteriores em defesa da Zona de Paz na América Latina e no Caribe, dada a preocupação com a presença de navios militares dos Estados Unidos no mar do Caribe.

A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, Yolanda Villavicencio, explicou que este encontro com 23 países conseguiu unificar a voz regional em favor da coexistência pacífica e do compromisso com a Proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz, rejeitando a ameaça de interferência de qualquer nação estrangeira.

“Isso nos chama a atenção para nos pronunciarmos sobre a necessidade de manter a América Latina como uma terra de paz, fora de qualquer intervenção e em estrito respeito às declarações das Nações Unidas e à manutenção da paz e da soberania dos países”, disse ela.

A alta funcionária acrescentou que toda ação na região deve estar em conformidade com os princípios do Direito Internacional, o respeito à soberania, a integridade territorial e a não ingerência nos assuntos internos dos Estados.

Da mesma forma, ela evocou as diretrizes do presidente colombiano, Gustavo Petro, que afirmou que “nenhum governo latino-americano que se preze deve solicitar ou celebrar uma invasão estrangeira”.

A ministra reiterou que os países da Celac que participaram da reunião de emergência concordaram em afirmar que qualquer ação armada sem a autorização dos Estados envolvidos constitui uma agressão contra toda a região.

“Estas não são frases de circunstância. São uma defesa explícita da não intervenção e do fortalecimento contínuo do multilateralismo”, advertiu.

Por sua vez, o chanceler venezuelano, Yvan Gil, agradeceu à Colômbia por convocar a reunião e assegurou que os Estados Unidos estão violando a Zona de Paz e o Tratado de Tlatelolco, ao enviar oito navios com mais de 1.200 mísseis e ameaçar com armas nucleares o Caribe venezuelano.

“4.200 soldados treinados anunciaram que estão prontos e preparados para invadir o solo sagrado de nossa pátria, a República Bolivariana da Venezuela, mas ainda mais grave (…) é a presença de um submarino nuclear com capacidade de lançar armas nucleares”, afirmou Gil.

Por outro lado, Petro escreveu em X que, se houver uma agressão violenta contra a Venezuela, todos os Estados da região ficarão enfraquecidos.

“Na grande pátria de Bolívar não pode haver senão soberania nacional. Nem no Panamá, nem no Equador, nem na Colômbia, nem na Venezuela deve haver submissão servil a estrangeiros”, afirmou.

Petro reconheceu a necessidade de cooperar com países do mundo na luta contra o narcotráfico, “pois se trata de um problema da humanidade, mas em termos de igualdade, não de submissão”.

Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, o avanço militar nas águas do Caribe venezuelano obedece a uma operação antinarcóticos reforçada contra os cartéis que operam na América Latina.


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