O mecanismo é o mesmo. Desumanizar, apresentando esse “outro” como atrasado, violento ou incapaz de “integração”; homogeneizar, apagando a diversidade interna e reduzindo milhões de pessoas a um único estereótipo; inventar um perigo existencial, alimentando a ideia de que eles “invadem”, “destroem a cultura” ou “ameaçam nossa segurança”; e, finalmente, usar o medo politicamente para canalizar a frustração social contra um inimigo que não questiona o poder real.
Cada país adapta essa fórmula à sua história. Por exemplo, na Espanha, ela se sustenta na mitologia — sem rigor histórico — da chamada “Reconquista” e na presença lógica (devido à proximidade geográfica) de migrantes do Norte da África. Na França, ela se sustenta nas feridas coloniais da Guerra de Independência da Argélia, ainda agitada pelos setores mais reacionários. Nos Estados Unidos, ela se sustenta em décadas de guerras no Oriente Médio que transformaram os povos muçulmanos em “eternos inimigos”, justificando tanto políticas internas repressivas quanto intervenções militares no exterior. Da Baía de Guantánamo à invasão do Iraque e ao recente bombardeio ao Irã.
Isto não é uma defesa de nenhuma religião. Não estou defendendo o cristianismo ou qualquer outra religião. Trata-se de apontar as evidências e, acima de tudo, destacar as semelhanças — apesar das diferenças históricas — entre o fascismo da década de 1930 e esses movimentos neofascistas, ou como quisermos chamá-los (isso é o de menos, por enquanto).
O importante a notar é que o padrão continua o mesmo: união no ódio para esconder as verdadeiras causas da crise e blindar a oligarquia capitalista.
E insisto, incluo também nesses movimentos aqueles que nem se autodenominam “de direita”, ou que se autodenominam “comunistas”, mas que defendem exatamente isso. Se você defende isso, ou não tem a capacidade de enxergar o óbvio, ou, claro, enxerga, mas concorda, ou usa isso porque é tão oportunista que não se importa nem um pouco com as consequências.
Carmen Parejo Rendón é escritora, analista internacioinal e filóloga. Reside em Sevilha, Reino da Espanha.
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Fiz uma análise sobre o assunto a partir do Fascismo Eterno do Umberto Eco:
https://livrepensamento.com/2025/07/13/ur-fascismo-a-vigilancia-perpetua-de-umberto-eco-contra-o-autoritarismo