O STF, O Muçulmano, Popper, Dantas, Gaza, Jean. E a matemática política. Por Flávio Carvalho.

É como derrubar a democracia e trair o país no Brasil. Depois, provocar a própria prisão. E a velha imprensa — a que sempre apoiou todos os golpes — corre para defender quem se faz de vítima, covarde, abrigado sob o manto da liberdade de expressão que os golpistas jamais respeitaram.

Por Flávio Carvalho.

“Se pensas que burlas as normas penais, insuflas, agitas e gritas demais” (Hino de Duran, Chico Buarque)

Funciona matematicamente na política. A ordem dos fatores altera significativamente o produto.

Siga esse ordenamento sequencial, por favor.

Política é vida. O que inclui resolução de conflitos, que não nasceram ao cair do céu. Sempre há um princípio. Conveniente é tentar não falar sobre ele, o fato detonador do conflito. Puro oportunismo.

Exemplinho espanhol.

Muito antes de que saibamos quando começou, religiões determinam costumes.

Em 1502, os reis católicos da Espanha ordenaram que os muçulmanos do reino abandonassem suas crenças. Neste ano 2005, um governo municipal, fascista, do PP espanhol junto com VOX (mais fascista ainda; e deixemos de chamar os fascistas de extrema-direita, por favor) decidiu proibir a construção de uma mesquita. Chegou o calor intenso de verão. Se aproxima o dia da Matança do Porco, ritual sagrado muçulmano. Expressiva parte da população local (nem são migrantes, pois muitos nasceram ali) protesta nas ruas. Neonazis de toda a Europa, convocados pelas redes Muskistas aproveitam as férias para se reunir exatamente ali. E assim tumultuar o pequeno pueblo (e aproveitar para pegar uma prainha com bom vinho fresco, nesse calor). As grandes redes de TV, com o futebol e o congresso sem grandes novidades, enviarão imensas equipes de filmagem….

Da correnteza do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Ninguém diz que sempre foram violentas as margens que sempre oprimiram o curso natural do rio. Uma frase famosa do dramaturgo alemão Bertold Brecht.

É como derrubar a democracia e trair o país no Brasil. Depois, provocar a própria prisão. E a velha imprensa — a que sempre apoiou todos os golpes — corre para defender quem se faz de vítima, covarde, abrigado sob o manto da liberdade de expressão que os golpistas jamais respeitaram.
Exigirão seus direitos humanos contra os ditadores da atual justiça, esquecendo que, anteriormente, direitos humanos e ditadura nunca combinaram, tal como eles mesmos defendiam.

É igual a passar décadas confinando Gaza no maior campo de concentração a céu aberto do mundo e…

Produz resultados satisfatoriamente previstos para quem está se acostumando a operar dessa forma. E, por isso, é importantíssimo deter, já no início da operação matemática, esta tal forma de operar.

O contrário disso pode-se resumir em uma palavra: Vacilo.

É de Manual. Ou livro de matemática. Nem precisa desenhar. Nem consultar livro de filosofia política, embora também ajude. Muito.

O cálculo nazifascista precisa ser lembrado. A culpa foi da minissaia e não da menina estuprada. Sofrer assédio escolar por usar uma camisa rosa vem sempre antes de assassinar o menino de batom.

A pergunta que Jean Wyllys mais respondeu na vida tornou-se mais famosa que a do Gato de Alice no País das Maravilhas. A culpa pelo bolsonarismo é do cuspe de Jean no dia da votação do golpe contra Dilma. Como se a história do Brasil não estivesse relacionada ao nazismo, porque esse conceito só apareceu muito depois da escravização.

“30 anos antes de cuspir nele, que eu não me arrependo, quando Bolsonaro já era vereador (e fazia discurso fascista e todos diziam que era exagero chamá-lo de fascista), eu era um menino que vendia algodão-doce na cidadezinha do interior da Bahia”; “Culpa? Minha?”, perguntou, de forma retórica, recentemente, de novo, Jean.

Maria Dantas, antifascista ativa, quando era deputada no parlamento espanhol, ganhava fotos da grande imprensa porque o seu computador portátil ostentava um adesivo bem grande: Stop VOX, bem na cara do líder de VOX. Não poucas vezes, foi acusada de provocadora. E diziam que era melhor nem falar. Hoje, Maria saiu do parlamento. VOX, subiu para a terceira força política da Espanha nas pesquisas.

Não se trata de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. É mais grave e matematicamente comprovado. Tanto que até fascista já sabe, embora finja que nem saiba, por conveniência. A história decidiu chamar de Ovo da Serpente (nazista). Não se deve perder tempo debatendo o que já está claro e perigoso. É preciso pisar no ovo. Esmagá-lo.

É preciso ser intolerante contra os intolerantes, diz o Teorema (Paradoxo da Intolerância) de Popper.

E dirão que o violento sou eu.

Dantas, Jean, Palestina, o muçulmano, o STF, Brecht ou Popper.

A Grande Imprensa jamais responsabilizará o nazifascista, que tem na violência um dos pilares dos seus princípios políticos.

É de manual.

Aquele abraço.

@1flaviocarvalho, @amaconaima, sociólogo, escritor. Barcelona, 7 de agosto de 2025.

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