
Por Pablo Moscatelli.
Na beira do Atlântico quente,
Cheguei num sol reluzente,
Do sul das bandas do frio,
Buscando um canto mais gentil.
Deixei Montevidéu pra trás,
Na mala, sonhos e paz,
E foi em solo nordestino
Que reencontrei meu destino.
João Pessoa, terra amada,
De história forte e encantada,
Quatrocentos e quarenta
Anos de alma sedenta
Por mais futuro e cultura,
Por justiça e ternura
E eu, forasteiro contente,
Virei filho dessa gente.
No varadouro ancestral,
Senti um calor sem igual,
Gente firme, olhar sincero,
Do jeito que eu sempre espero.
Na ladeira da Borborema
Meus passos traçaram o lema:
“Quem chega pra somar amor,
Não é estranho é morador!”
O sotaque ainda denuncia
Minha origem de poesia,
Mas meu filho, nascido aqui,
Diz “oxe!” com tanto porvir
Que me esqueço do espanhol
E me banho nesse sol.
Do Cabo Branco ao Mangabeira,
Minha casa é brasileira!
Oh cidade onde o tempo dança
Com força, suor e esperança!
Tens palmeiras, brisa e mar,
E um jeito doce de abraçar.
Na feirinha de Tambaú,
Peguei caranguejo cru
Hoje boto coentro no feijão
E torço o galo do coração!
Já vi tango e vi milonga,
Mas foi no som da ciranda
Que meu coração firmou
E meu corpo se entregou.
Pois a cidade que me escolheu
Me ensinou o que é ser eu
Não importa de onde se vem,
Se aqui se planta também.
João Pessoa, capital serena,
Com tua alma tão pequena
De acolhida e calor,
És gigante no amor.
E neste teu aniversário,
Faço verso voluntário:
Obrigado por teu chão,
Que virou meu coração.
Parabéns, meu novo lar!
Com orgulho vou cantar:
De um uruguaio encantado,
Por João Pessoa adotado
Não sou só visitante, não.
Sou pessoense de coração!

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