
Por Pablo Moscatelli.
A batalha cultural, técnica ou filosoficamente falando, é o que é conhecido como: “um significante vazio”.
Ou seja, o uso da palavra vai depender muito do objetivo que o interlocutor quer atribuir a ela, é o uso social que a determina, basicamente.
A verdade é que seu uso mais moderno ou sua aplicação historicamente recente vem da nova ultradireita, que surge de uma interpretação atrofiada e “abestada” do conceito de hegemonia de Gramsci.
É bom dizer que essa batalha cultural usada pela ultradireita tem duas características a destacar, e é bom apontar para reconhecê-las.
A primeira; por trás do uso da batalha cultural, está uma espécie de sinônimo suave para o pensamento único, de impor minha visão do mundo, que todos pensem como eu quero que pensem e sintam. É claro que tem um toque de visão autoritária, de como as sociedades têm que pensar, viver e sentir.
A batalha cultural é usada com um sentido negativo, reacionário e propositivo; não é que eles proponham coisas, com isso eles têm um discurso de censura, ataque, caos, estigmatização. Contra a educação e seus professores, contra a diversidade sexual, contra a classe trabalhadora e suas lutas, contra a arte e seus artistas. Por trás da batalha cultural há sempre um discurso que desacredita.
Em definitiva, eles atacam expressões culturais que promovem valores ou modos de vida que, em sua visão, são contra sua visão tendenciosa do mundo.
A segunda característica, a defesa do politicamente incorreto, mostram isso como algo simpático: “Atrevo-me a dizer o que todos pensam, mas ninguém se atreve”. Por trás dessa aparente coragem intelectual, há uma justificativa para a implementação de discursos de ódio, violência política, desqualificação constante, racismo, homofobia, xenofobia, etc.
E é aí que surgem as “guardas petrorianas” na Argentina, braços armados desses discursos, ou os próprios “patriotas” no Brasil, para travar essa batalha cultural.
Esses movimentos geralmente escondem voltas autoritárias. No longo prazo, são movimentos autoritários que buscam se legitimar para gerar governos autoritários.
Tivemos uma chance gigantesca no Brasil nas últimas semanas de travar essa batalha, as massas estavam nas ruas, voluntariamente organizadas com uma bandeira de reivindicação da memória, da verdade e da justiça. Mas, infelizmente, o governo federal está pensando novamente no caminho eleitoral, e não em memória, verdade e justiça!
Nos seguem mantendo sequestrada a história, a memória coletiva de nossos mártires. A democracia não só deve ser defendida a cada quatro anos, ou em discursos eleitorais frágeis. Defendemos a democracia verdadeiramente com MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA!
“AINDA É TERRORISMO DE ESTADO”
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