1º de maio: dia de luta dos trabalhadores e trabalhadoras

Ato 1º de Maio em Porto Alegre, em 2019. Foto: Marcus Perez

Por Jonas Reis.

A celebração do primeiro de maio surgiu como um dia de lutas pela jornada de trabalho de oito horas. A data foi escolhida para homenagear os trabalhadores de Chicago que, em 1886, iniciaram uma greve geral em defesa da jornada de oito horas. A greve sofreu repressão e vários trabalhadores foram mortos. Passados 135 anos, a luta contra a exploração do capital continua mais atual do que nunca.

No século XX, a luta por políticas públicas de saúde, educação, habitação, lazer e cultura se somaram à luta sindical por melhores condições de trabalho e salários dignos. Paralelamente, a ampliação dos direitos políticos, como o voto feminino, o voto aos 16 anos e dos analfabetos, ampliaram a democracia. Ao longo do século passado os trabalhadores, principalmente nos países desenvolvidos, conquistaram inúmeros direitos sociais e políticos. No Brasil, a construção da previdência social a partir dos anos 1920, do SUS na década de 1990 e das políticas de habitação de interesse social, como o BNH, as COHABs e o Minha Casa, Minha Vida, são marcos importantes da luta por políticas públicas para a classe trabalhadora.

Mas o capital nunca desistiu das tentativas de desconstituir estas conquistas e ampliar a exploração da classe trabalhadora, seja através da repressão policial, seja através de mudanças na produção e na legislação. Nos anos 1980, o capital reorganizou a produção, implantou a automação em larga escala na indústria, adotou as células de produção e programas de qualidade total, aumentando o ritmo do trabalho e as funções desenvolvidas por cada trabalhador. Tudo para reduzir o número de trabalhadores e aumentar a exploração de “mais-valia”: conceito criado por Karl Marx para explicar a parcela do que é produzido pelo trabalhador e não é pago na forma de salário, sendo apropriada pelo capitalista.

É cogente lembrar também que a burguesia brasileira sistematicamente recorre à repressão contra os trabalhadores. As ditaduras, as prisões de lutadores, as intervenções em sindicatos e a criminalização dos movimentos sociais que lutam por terra, habitação e direitos estão presentes em nossa história. O golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff, abriu espaço para as reformas liberais que retiraram direitos dos trabalhadores. Entretanto, além da repressão e das manobras políticas, os patrões contam com um arsenal ideológico para iludir e dominar os trabalhadores. Nos últimos 30 anos uma ofensiva ideológica neoliberal busca legitimar a superexploração da classe trabalhadora sob rótulos como: “empreendedorismo”, ”trabalho flexível” e “por conta própria”, para justificar a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários.

Paralelamente aos ataques à organização sindical, aos direitos trabalhistas e previdenciários, ocorre um processo de privatização das empresas e dos serviços públicos, legitimado pela suposta ineficiência do Estado. Transferindo para a iniciativa privada serviços lucrativos como energia, telefonia, aeroportos, portos e estradas. Simultaneamente, a transferência para organizações sociais de serviços de saúde e assistência social, sob a forma de parceirização e contratualização, tem se transformado em fonte de corrupção e serviços precarizados para os trabalhadores.

Esta realidade não atinge apenas o Brasil, ela é internacional e afeta o mundo inteiro. O capitalismo procura dividir e separar os trabalhadores, incutindo ideias e receitas xenofóbicas, sexistas e homofóbicas. Mas, independentemente de nacionalidade, gênero, orientação sexual, nativos ou imigrantes, todos os trabalhadores do mundo têm o mesmo interesse de classe. Mais do que nunca a famosa frase de Karl Marx é atual e necessária: “Proletários (trabalhadores) do mundo uni-vos”.

Jonas Reis é vereador em Porto Alegre e vice-líder do PT. Professor e Doutor em Educação.

A opinião do/a autor/a não necessariamente representa a opinião de Desacato.info.

 

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