150 anos da Associação Internacional de Trabalhadores

A I Internacional, 150 anos depois | Encontro internacional

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Entre os dias 29 de outubro e 3 de novembro, a Boitempo promoverá um encontro internacional em oito cidades brasileiras, marcando o lançamento de Trabalhadores, uni-vos: antologia política da I Internacional, organizado por Marcello Musto, que virá ao país participar dos debates; e da edição 23 da revista Margem Esquerda, com dossiê especial sobre a AIT.

Passando pelas cidades de Campinas, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Natal e Belo Horizonte, os eventos terão a participação de diversos intelectuais, entre eles Michael Löwy, Vladimir Safatle e Ricardo Antunes.
Programação de Marcello Musto no Brasil

Porto Alegre

150 anos da AIT: Um balança histórico
Debate com Marcello Musto e Alfonso M. Iacono
24 de outubro | 18h30 às 22h30
Pantheon do IFCH | Campus do Vale | UFRGS
Natal

A associação internacional de trabalhadores: organização e luta no cenário atual
Mesa redonda com Marcello Musto e João Emanuel Evangelista
27 de outubro | 14:30 às 18h
Biblioteca Zila Mamede | Campus Central | UFRN
Campinas

A AIT: suas origens, seus debates
Debate com Marcello Musto, Michel Ralle, Alfonso M. Iacono, George Comninel e Lúcio Flavio
29 de outubro | 9:30 às 12:30
Auditório I do IFCH | UNICAMP
São Paulo

Abertura
Debate com Marcello Musto, Ruy Braga, Soraya Smaili e Ricardo Antunes
30 de outubro | 14hrs
FFLCH | USP

Os desafios da organização internacional da classe trabalhadora ontem e hoje
Debate com Marcello Musto, Michael Löwy, Alfredo Saad, George Comninel e Dari Krein
30 de outubro | 19h30 as 22h30
FFLCH | USP
Salvador

As lutas sociais globais e suas transversalidades no século XXI
Debate com Marcello Musto, Ricardo Antunes e Graça Druck
31 de outubro | 19h30 às 22h00
Auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo | UFBa
Rio de Janeiro

Aprendendo com a Primeira Internacional: as lutas pela emancipação
Debate com Marcello Musto, Alfonso M. Iacono, George Comninel, J. P. Netto, Antonino Infranca e Serge Volikow
3 de novembro | 19h às 22h30
IFCS/UFRJ | Salão Nobre, Largo do São Francisco, no. 1 Veja aqui a programação completa do evento

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Trabalhadores, uni-vos!
Antologia política da I Internacional
Marcello Musto (org.)
“Ou a classe trabalhadora é revolucionária, ou ela não é nada.” – Karl Marx
Há 150 anos, cerca 2 mil trabalhadores reuniram-se no salão do edifício St. Martin’s Hall, em Londres, para assistir ao comício de dirigentes sindicais ingleses e de um grupo de operários do continente europeu. Na plateia, ainda na posição de mero espectador, encontrava-se, entre outros, Karl Marx, que depois viria a se tornar um dos principais articuladores da organização que seria o protótipo de todas as outras do movimento operário. Nascia assim, de forma um tanto imprevista, a I Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). Para celebrar essa data, a Boitempo publica Trabalhadores, uni-vos!, antologia organizada pelo cientista político italiano Marcello Musto, professor da York University, em Toronto, no Canadá.
Ao reunir mensagens, resoluções, intervenções, atas e outros documentos do Conselho Geral e dos diversos congressos da AIT, grande parte inédita em português, essa portentosa coletânea acusa, mais do que a pertinência, a necessidade, nos tempos atuais, de travar profundo conhecimento dos temas que sustentaram o debate no século XIX.
Antes de tomar contato com os oitenta textos que, organizados cronologicamente em doze seções temáticas, constituem a razão de ser da obra, o leitor é brindado com uma introdução de grande fôlego intelectual, na qual Musto expõe o panorama histórico da AIT. Apresentando a época, as personagens, os meandros de sua formação e de sua estrutra, os confrontos ideológicos, os episódios da luta pelos direitos dos trabalhadores, os congressos, as conferências e outros marcos políticos, econômicos e sociais do período, o organizador do volume abre o caminho para as discussões teóricas e as propostas práticas daqueles que, a partir dos mais diversos posicionamentos políticos e correntes de pensamento, uniram-se para construir a revolução operária.

Esse esforço de contextualização acompanha a obra como um todo: cada texto conta com uma breve nota introdutória com a data e a situação da composição, da publicação ou da apresentação (no caso de discursos) do original, informações biográficas do autor e a localização da versão integral nas edições dos documentos da AIT.

De posse desses instrumentos, o leitor mergulha num trabalho coletivo e plural com assinaturas de peso como as de Karl Marx, Friedrich Engels, Mikhail Bakunin, Eugène Hins, César de Paepe, Paul Lafargue, Adolph Sorge, Johann Eccarius e de outros pensadores em pleno exercício da militância. Em meio a embates sobre a situação das classes trabalhadoras, a emancipação feminina, a luta sindical, a maquinaria, o crédito, o cooperativismo, a questão fundiária, o papel do Estado, a educação, a Comuna de Paris, o internacionalismo, o nacionalismo, a guerra, a sociedade burguesa, a organização política da Associação e tantos outros temas, desenha-se “a configuração econômica e política da sociedade futura que os membros da Internacional buscavam alcançar”, como observa Marcello Musto. Para encerrar o volume, antes da ampla bibliografia e do índice onomástico, no apêndice, a letra do hino da I Internacional.

Lançada simultaneamente na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Itália e no Brasil, esta coletânea vem à luz em momento propício. Segundo Musto, as mudanças pelas quais vem passando o mundo do trabalho hoje o levaram a suportar condições de exploração semelhantes àquelas do século XIX. “Nesse contexto, que inclui ainda a crise econômica dos últimos anos, o projeto da Internacional retorna com extraordinária atualidade. Sob cada injustiça social germina a semente da nova Internacional, que significa a busca dos trabalhadores por novas formas de colaboração e solidariedade, ampliadas pelas modernas tecnologias de comunicação”, conclui o cientista político.

Leia a orelha do livro escrita por Paulo Barsotti, no Blog da Boitempo?

Critica internacional
“Uma coletânea extraordinária” – Noam Chomsky
“Obra formidável, não só pela riqueza do material reunido, mas pelo exemplo internacionalista que nos dá no século XXI” – Michael Löwy
“O conhecimento dessa história é indispensável a todos que querem travar a luta por um mundo livre da exploração, da opressão e da alienação” – José Paulo Netto
“Trabalhadores, uni-vos! ajuda-nos na assimilação crítica da luta e dos saberes plurais que expressaram o amadurecimento da classe operária desde a época da Primeira Internacional. Eis aqui um livro que deve ser lido por todos os socialistas” – Leandro Konder

“Trabalhadores, uni-vos! talvez contenha a lição mais importante para nossa época. Neste livro, a fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores recebe, por ocasião de seu 150º aniversário, uma saudação à altura de um dos maiores, ainda que nem tão conhecido, feitos da humanidade. Uma coletânea extraordinária, muitas vezes surpreendente, jamais tediosa, e repleta de insights e discussões, em grande parte – infelizmente – ainda relevantes. Altamente recomendável para todos aqueles que mantêm a mente jovem o suficiente para aprender algo verdadeiramente novo com o que parece velho e ultrapassado” – Bertell Ollman

“Este livro maravilhoso organizado por Musto responde à pergunta: ‘O que significa construir uma revolução?’. Naqueles dez anos em torno da Comuna de Paris, os comunistas responderam a essa pergunta propondo uma distopia: não tentaram o impossível, mas mostraram ser possível realizá-lo. Com a fundação da Internacional, a classe operária reivindicou seu realismo político” – Toni Negri

Sobre o organizador
Marcello Musto nasceu em Nápoles, na Itália, em 1976 e vive em Toronto, no Canadá, onde ensina teoria sociológica na York University. É doutor em filosofia e política pela Universidade de Nápoles (L’Orientale) e em filosofia pela Universidade de Nice (Sophia Antipolis). Dedica-se aos da Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA-2), dos marxismos, do pensamento socialista e da história do movimento operário. Seus livros e artigos têm sido publicados mundo afora, em dezesseis línguas. Entre os volumes que organizou e dos quais é coautor, destacam-se: Karl Marx’s “Grundrisse”: Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later (Routledge 2008); Tras las huellas de un fantasma. La actualidad de Karl Marx (Siglo XXI, 2011) e Marx for Today (Routledge 2012). É autor de Ripensare Marx e i marxismi. Studi e saggi (Carocci, 2011) e L’Internazionale (Laterza, no prelo). É membro do conselho editorial de vários periódicos, colabora com diversos jornais e é codiretor da coleção “Marx, Engels, Marxisms: New Dimensions”, da Palgrave Macmillan.

Ficha técnica
Título: Trabalhadores, uni-vos! – Antologia política da I Internacional
Organizador: Marcello Musto
Tradução: Rubens Enderle
Orelha: Paulo Douglas Barsotti
Páginas: 336
ISBN: 978-85-7559-406-3
Preço: R$ 52,00
Ano: 2014
Editora: Boitempo

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Margem Esquerda n.23

Vários autores
Brasil, crescimento ou estagnação? Desenvolvimento ou desindustrialização? Em ano de eleições, polarizadas como poucas vezes se viu, a edição 23 da revista Margem Esquerda se propõe a discutir o presente e o futuro de nosso país. “Onda conservadora” de um lado – representada pela figura do tucano Aécio Neves – e a resistência democrática de outro, formada em torno da petista Dilma Rousseff, colocam em pauta diferentes projetos ou distintas nuances para o Brasil.

Quais as causas e quais as extensões das turbulências que acometem a economia nos dias que correm? O dossiê “Brasil, que desenvolvimento?”, centrado no principal embate teórico no campo da economia latino-americana – o novo-desenvolvimentismo versus o social-desenvolvimentismo – e organizado pela economista Sofia Manzano, apresenta visões plurais nos artigos do ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira e dos professores Luiz Filgueiras, Marcio Pochmann e Rodrigo Castelo.
Mantendo o foco no universo brasileiro, a entrevistada deste número é a historiadora Emilia Viotti, que falou a Milton Pinheiro e Paulo Barsotti sobre sua trajetória, seus estudos historiográficos e as recentes transformações políticas no Brasil. Abrimos a seção de artigos com “O sujeito e a teoria social: Marx e Lukács sobre Hegel”, do historiador canadense Moishe Postone. Na sequência, o cientista político Francisco Farias trata da política de classe como um padrão em ascensão na democracia brasileira, e o historiador britânico Perry Anderson reflete sobre o movimento de massas ao se debruçar na trajetória e no pensamento do dirigente comunista Lucio Magri. O sociólogo Emir Sader se inspira em Ruy Mauro Marini para abordar a dialética da hegemonia e, fechando a seção, o escritor britânico China Miéville, doutor em relações internacionais, estreia em nossa revista com um ensaio sobre literatura fantástica.

Um especial, organizado por Ricardo Antunes, saúda os 150 anos de fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). Com textos do sociólogo Michael Löwy e do cientista político italiano Marcello Musto, a história da I Internacional é retomada deixando evidente a pertinência, em tempos atuais, dos temas que animaram os debates no século XIX.

O texto clássico deste vigésimo-terceiro número remete ao centenário de um dos grandes dilemas da esquerda mundial. Foi quando, na Alemanha, a social-democracia – engajada na II Internacional – se somou à burguesia e aprovou os créditos de guerra, que possibilitariam o incremento da aventura belicista da I Guerra Mundial. O episódio acentuou a divisão entre comunistas e social-democratas e representou o prenúncio da derrota da revolução alemã. Esse revés isolou a nascente Revolução Russa e impediu que tivesse início uma onda transformadora na Europa. Em “A guerra e a social-democracia da Rússia”, Vladimir Lenin expõe a posição dos bolcheviques em relação à guerra imperialista que se tinha iniciado.

Sobre guerras também fala a seção de poesia, que traz soneto de Albrecht Haushofer, um dos envolvidos no atentado contra Adolf Hitler, que em julho último completou setenta anos. Traduzida e apresentada por Flávio Aguiar, a composição integra a série de Moabit, onde o poeta esteve preso até ser assassinado pelo exército nazista. Insurgências contemporâneas são o tema da resenha de O novo tempo do mundo, de Paulo Eduardo Arantes, escrita pelo professor de teoria literária Francisco Foot Hardmann. Notas de leitura vão assinadas por Pedro Davoglio e Silvio Luiz Almeida.

As ilustrações, cedidas pela pesquisadora Graziela Forte e selecionadas por Sergio Romagnolo, são de Carlos Prado (1908-1992), irmão mais novo de Caio Prado Júnior. Embora tenha militado no Partido Comunista, na década de 1930, Carlos se afastou da política e, com Flávio de Carvalho, Antonio Gomide e Di Cavalcanti, fundou, em 1932, o Clube de Artistas Modernos. Sua produção compreende os álbuns Memórias sem palavras: infância e A cidade moderna, além de centenas de obras feitas com técnicas diversas. As imagens que exibimos neste número fazem parte do álbum A cidade moderna, produzido em 1958, que contém doze gravuras em metal e poemas focados no tema da metrópole.

O escritor colombiano Gabriel García Marquez, o Gabo, falecido em 17 de abril, é o personagem da seção Homenagem. A escrita sensível de Roniwalter Jatobá é nossa forma de prestar tributo a um dos escritores mais profícuos da América Latina. A edição homenageia ainda Plínio de Arruda Sampaio, deputado cassado em 1964 e eleito pelo PT em 1986, dirigente partidário e principal figura pública do PSOL. Plínio, que morreu no último 8 de julho, fez uma transição política singular: saiu do Partido Democrata Cristão (PDC) e se tornou, ao longo dos anos, um respeitado ativista de esquerda. Aos 80 anos, percorreu o Brasil como candidato à presidência da República. Um homem raro, desses que marcam a vida nacional. Registramos também a perda de Dirceu Travesso, fundador do PSTU, líder da oposição sindical bancária de São Paulo e um dos principais articuladores da Rede Intersindical de Solidariedade Ativa. Por quase quarenta anos, Didi foi um ativista socialista, revolucionário e internacionalista. A eles, que consagraram seus dias a fazer deste um mundo melhor, dedicamos esta edição.

[Apresentação de Ivana Jinkings]

Sumário
ENTREVISTA

Emilia Viotti da Costa
MILTON PINHEIRO E PAULO DOUGLAS BARSOTTI

DOSSIÊ: O BRASIL ENTRE O NOVO E O SOCIAL DESENVOLVIMENTISMO

Por que o Brasil cresce pouco desde 1990-1991
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

A natureza e os limites do desenvolvimentismo no capitalismo dependente brasileiro
LUIZ FILGUEIRAS

Caminho próprio
MARCIO POCHMANN

Crise conjuntural e (re)militarização da “questão social” brasileira
RODRIGO CASTELO

ARTIGOS

O sujeito e a teoria social: Marx e Lukács sobre Hegel
MOISHE POSTONE

A reemergência da política de classe
FRANCISCO FARIAS

Lucio Magri (1932-2011): o pensamento inseparável do movimento das massas
PERRY ANDERSON
Dialética da hegemonia pós-neoliberal
EMIR SADER
Marxismo e fantasia
CHINA MIÉVILLE
ESPECIAL
A Associação Internacional dos Trabalhadores, 150 anos depois
RICARDO ANTUNES
Uma bandeira comum: marxistas e anarquistas na I Internacional
MICHAEL LÖWY
Notas sobre a história da I Internacional
MARCELLO MUSTO

CLÁSSICO

A guerra e a social-democracia da Rússia
VLADIMIR I. LENIN

HOMENAGEM

Gabo (1927-2014)
RONIWALTER JATOBÁ

RESENHA

Diante das insurgências contemporâneas
FRANCISCO FOOT HARDMAN

NOTAS DE LEITURA

A favor de Althusser: revolução e ruptura na teoria marxista
PEDRO EDUARDO ZINI DAVOGLIO

O Estado
SILVIO LUIZ DE ALMEIDA

POESIA

Um soneto de Moabit
FLÁVIO AGUIAR

Culpa
ALBRECHT HAUSHOFER

IMAGENS

CARLOS PRADO
Curadoria de Sergio Romagnolo
Ficha técnica
Título: Revista Margem Esquerda n. 23
Autores: Vários
Apresentação: Ivana Jinkings
Páginas: 160
ISSN: 1678-7684
Preço: R$28,00
Ano: 2014
Editora: Boitempo

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