Quem tem pais acima de cinqüenta anos

Foto: Flávio Britto.
Foto: Flávio Britto.

Por Victor José Caglioni, para Desacato.info.

Já é de tempos que um aspecto de nossa sociedade brasileira vem incomodando pensadores e analistas sociais. A apatia política e ou a total desinformação sobre os processos que ocorrem em nosso país, quando não apenas a repetição quase que tagarela do que vemos nos meios massivos.

Nosso comprometimento político é realmente um tanto diferenciado, há vários pontos que podemos encontrar em outras sociedades é bem verdade, não devemos cair no discurso típico de que somos uma grande mazela do mundo moderno, (como se o Brasil fosse o único a ter esses problemas.

No entanto é preciso reconhecer a dificuldade que o tornar-se um ser político enfrenta não daqueles que não querem que isso aconteça (por razões óbvias do status quo), mas pelos próprios semelhantes.

Observando argumentações na rede social Facebook é impossível não notar a onda de conservadorismo e falta de informação complementaria de toda uma massa de jovens e adultos em postagens relativas ao momento político que vive o país.

Isso não quer dizer que o brasileiro não seja comprometido com algo, Adriana Braga, da PUC RJ, Valdir Morigi e Vera Costa da UFRGS já demonstraram em alguns de seus interessantes trabalhos sobre ciberactivismo, como nossa militância virtual, pode influenciar e comprometer individualmente pessoas para causas reflexivamente positivas desde a perspectiva do non sensum comum.

Mas há dias que marcam o abismo que temos que enfrentar!

O refletir sobre os processos que vive e viveu o país deveria ser uma chave para o crescimento do mesmo, também no que diz respeito ao social, ao político, aquilo que se entende como fortalecimento da democracia. (diga-se de passagem a pouca dispersão dos resultados da Comissão da Verdade e a reflexão que essa deveria inserir no campo social educativo do país).

Nosso aspecto político é algo intrigante e o mais interessante é que quando há esforços políticos para que mudanças ocorram, parte de nossa sociedade recua e ou grita ferozmente, já quando da austeridade (vide especialmente o caso difícil que vive os servidores paranaenses, em todas as áreas) parece haver uma total amortização argumentativa para com a importância de um estado forte, melhor administrado e com o dever dos cidadãos de manifestarem-se contra as práticas destrutivas do aparato estatal e consequentemente da criação de um tecido social mais consistente e progressista. (claro não é interesse de alguns, mas deveria ser da maioria). Um tanto assustador, décadas desde a “volta da democracia”, muito mais PIB, muito mais renda, acesso ao consumo, muito mais gente, muito mais viagens, muito mais gente “formada” mais parece que o cano social, ainda tem vários entupimentos e furos que não permitem a água passar com sua real potencia e capacidade.

Não necessariamente, digo para que sejamos contra ou a favor de um governo ou de outro, tratamos de pensar mais além da estrutura que existe, pensamos em sociedade que queremos ser, e daí avaliaremos melhor as coisas, mesmo não sendo consenso.(que seria utópico e talvez perigoso).

Afinal, o que será de nós jovens, adultos e crianças, quando formos mais velhos, que país estamos criando para nós mesmos e nossas próximas gerações, se não começarmos a pensar mais profundamente sobre o que fazem de nós… Não se trata de lição de moral ou sermão, trata-se de jogar a semente para que solos férteis possam brotá-la.

Será que queremos estar na pele de pessoas que dizem: “Minha aposentadoria, só paga meu plano de saúde e de minha esposa”. Quem tem pais acima de cinqüenta anos, seguramente ouvirá algo parecido. Como gostaria de não ser eu a dizer isso daqui alguns anos…

Victor José Caglioni é sociólogo. Florianópolis.

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