PT 40 anos, vivo, nas vidas. Por Elenira Vilela

Foto: Reprodução do Facebook

Por Elenira Vilela.

Dos meus 44 anos de vida, uns 30 passei militando no PT, convivo com o PT desde a infância já que meus pais são fundadores do Diretório Municipal de Niterói. Me orgulhava muito de preparar uma bandeja pra servir café para aquelas pessoas que eu achava tão importantes e iam à minha casa fazer coisas importantes (que eu não entendia quais eram). Meus pais não deixavam eu participar, aí descobri que podia ficar uns minutos na sala com eles servindo o café. Eu devia ter 7 ou 8 anos.

Tinha 10 anos quando fui colocada em um carro de polícia por fazer boca de urna para candidatos do PT, eles nos deixaram ir logo que ficamos a uns 500 metros do local de votação. Saímos dali e fomos pra outro local de votação e continuamos a panfletagem. Teve uma festança no final do dia e me deram uma faixa de “Melhor boca de urna” feita de papel higiênico, achei o máximo!!

Iniciei a militância estudantil com os petistas em 1993, montamos uma chapa e ganhamos o DCE da UFF com o Quá Quá e a Roberta Martins entre muitos outros militantes do PT. Fizemos uma chapa de denúncia no Congresso da UNE de 1994 que tinha o sujestivo nome de “Pro circo pegar fogo!”. Era o congresso que Lindbergh deixava a presidência. Foi lindo, éramos românticos e contundentes, queríamos e estávamos mudando o mundo!
Apareci em uma campanha de filiação de jovens ao PT de SC em 1995. Levamos uns 40′ a 1 h pra gravar uma aparição de uns 4 segundos (lembra, Cláudio Schuster?). Eu me filiei logo depois dessa gravação.

Em 1996 fui escolhida pela Juventude do PT a disputar a eleição, fui candidata a Vereadora. A campanha mais pobre, divertida e animada que fiz. Coordenada e tocada por jovens de 12 a 60 anos. Fizemos 575 votos e me orgulho demais. Fui fotografada pelo Caio Cézar para uma matéria do A Notícia e xingada pelo Cacau Menezes.

Em 2005 tomei uma decisão difícil, mas que eu considerava necessária: me desfiliei. Depois de ser delegada aos encontros nacionais de 1997 (tivemos uma atuação memorável e incomodativa como só a juventude deve ser neste Encontro no Hotel Glória) e 1998 e dos conflituosos processos de intervenção do DR do Rio de Janeiro e de aprovação daquela Reforma da Previdência de 2003, entendi que o PT tinha virado um partido que não tinha nenhuma perspectiva Revolucionária e que isso não estava mais sequer em disputa como perspectiva. Me desfiliei.

Nunca deixei de acompanhar o processo interno e de votar no PT (se bem me lembro votei apenas uma eleição em candidatas que não eram do PT).

Apesar de me afastar da militância quando tive os meninos até terminar o mestrado e fazer concurso, acompanhava os debates e defendi sempre a mudança que Lula e Dilma faziam na vida do povo. Não deixei jamais de fazer as críticas que considerava necessárias, nem de fazer greves pra pressionar o governo a ser ainda mais o queríamos e o povo precisava. A luta do povo estava negligenciada, o partido confundiu governo e poder. Eu me preocupava.

Acompanhei e me posicionei publicamente contra as injustiças que estavam sendo cometidas contra Genoíno, Zé Dirceu e outros companheiros na AP 470.

Fiquei filiada ao PCdoB de 2011 ao início de 2014 por ver uma perspectiva de um governo de esquerda em Florianópolis (o PT daqui se diminuía e deixou de ser protagonista da política na cidade, me ressenti muito disso, mas avaliei que naquele momento minha contribuição seria melhor fora do partido).

Já em 2013 tive a certeza de que um golpe (ou vários) estavam sendo armados contra nós. Participei bastante da campanha de Dilma em 2014, na esperança que impedíssemos o golpe. Ganhamos, mas não levamos. Em 2015 resolvi me refiliar. Em uma conjuntura com aquele nível de ameaças sabia que tinha a obrigação de contribuir. Fiz muitas articulações e organizamos vários atos, denúncias e protestos contra o Golpe. Ainda sofremos várias derrotas, continuo compreendendo que o PT não é e não sei se algum dia será um partido Revolucionário que o Brasil tanto precisa.

Mas não tenho dúvidas que é o melhor partido do Brasil para seu povo. O partido que sempre disputou a consciência da classe trabalhadora brasileira, jamais se contentou em disputar o protagonismo e os militantes de esquerda. Que sempre lutou pelos direitos e dignidade do povo.

Viva o Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras!!! Viva o povo brasileiro e sua luta por dignidade e liberdade!! Viva a luta de todos os trabalhadores e trabalhadoras no mundo!!
No #FestivalPT40anos cantamos a Internacional e também uma musiquinha bem tradicional que andou meio esquecida. Quem conhece vai cantar mentalmente…

PT, PT, PT, PT…
PT, PT, PT, PT…
PT, PT, PT, PT…
Trabalhadores no Podeeeer!!!!

Elenira Vilela é professora e sindicalista.
A opinião do/a autor/a não necessariamente representa a opinião de Desacato.info.
#AOutraReflexão
#SomandoVozes

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