Professora indígena da UFSC vai ministrar aula magna do ano letivo da UEM

Professora Joziléia Kaingang. Foto: Reprodução do Facebook

Por Paulo Pupim.

A professora Joziléia Daniza Jagso Inácio Jacodsen, conhecida por Joziléia Kaingang, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), vai ministrar, na próxima quinta-feira (14), a aula magna da Calourada 2019 na Universidade Estadual de Maringá (UEM), sobre o tema “30 anos da Constituição Federal: desafios, avanços, retrocessos e as perspectivas indígenas na universidade pública”.

A palestra será proferida pela manhã, das 9 às 10h30, e à noite, das 19h30 às 21 horas, no bloco C-34, câmpus sede da instituição. Com história de luta em defesa da mulher kaingang, transformada em objeto de estudo na pesquisa do mestrado, Joziléia é a primeira estudante indígena do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, da UFSC.

Natural da Terra Indígena do Guarita, interior do Rio Grande do Sul, ela desempenha a função de coordenadora pedagógica da Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, na UFSC.

Joziléia está cursando o doutorado em Antropologia Social também na Universidade Federal de Santa Catarina. Graduada em Geografia, também tem especialização em Educação de Jovens e Adultos Profissionalizantes, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A professora reúne experiência na área de Antropologia Social, com ênfase em interdisciplinar, nos temas mulheres indígenas, arte indígena, saúde sexual, indígenas e universidade.

Na dissertação “Mulheres kaingang, seus caminhos, poli?ticas e redes na TI [Terra Indígena] Serrinha”, Joziléia deu ênfase a três narrativas de luta de mulheres kaingang a partir das décadas de 60 e 70. “O movimento indígena pela terra e pelos direitos não se inicia pela Constituição de 88. Houve uma luta grande do movimento indígena, que conseguiu se articular sem internet, telefone, dinheiro. Alguns artigos específicos (231 e 232 – direito aos costumes, território e crenças) nos asseguram o direito de sermos quem somos. O tema vinha sendo discutido em fóruns institucionais; a promulgação da Constituição de 88 veio depois”, descreve.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.