Povos andinos reverenciam a Pachamama

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Por Elaine Tavares.

Hoje, por toda a coluna vertebral dos Andes é dia de festa, hora de dar oferendas a grande mãe (pacha), elemento central na filosofia dos povos andinos. Pacha não é apenas a terra, mas significa o universo – não só o físico – ordenado em categorias espaço-temporais. Pacha é o ser, o que é, o existente, a realidade, embora o conceito englobe também o invisível.  Pois, para os povos dos Andes tudo é relacional e faz parte da mesma realidade. Não há separação entre o mundo físico e o mundo transcendente.

Na racionalidade ocidental o ente é o ser-em-si-mesmo, há o indivíduo e a autonomia do sujeito. Para o runa (ser humano) quéchua o universo é um sistema de entes inter-relacionados, dependentes um do outro. Não existe o ser-em-si-mesmo, não há seres absolutos, tudo está em correspondência. Isso determina inclusive a organização social das gentes, onde o “nós” ou a ideia de comunidade é indissociável da realidade do entorno. Por isso, a ideia de Pacha Mama é unificadora da concepção de mundo. A terra, como mãe, se relacionando com tudo que vive. Assim, para um povo originário andino, a exploração da natureza aos moldes do capitalismo – que esgota e destrói – é incognoscível.

O dia primeiro de agosto é chamado de “dia de pago à terra” e durante todo o percursos das 24 horas, as gentes fazem festas e oferecem comida a essa mãe que tudo provêm. É a maneira originária de agradecer pelo alimento e pela vida.

“No hay nada sobre la tierra que no sea producto de la tierra.  Nosotros también, Dios nos hizo de tierra y nos dio el soplo de vida, luego al morir ella nos acoge para el eterno descanso. Por eso hay que respetarla y venerarla.”

Fonte: Iela.

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