Pablo Iglesias reeleito secretário geral do Podemos, vence disputa interna

Pablo Iglesias no final do segundo congresso do Podemos. Foto de Chema Moya/EPA/Lusa
Pablo Iglesias no final do segundo congresso do Podemos. Foto de Chema Moya/EPA/Lusa

“Unidade” foi o grito que mais se ouviu no congresso do Podemos, Vistalegre II, no qual participaram mais de dez mil pessoas. De facto, foi o primeiro congresso do partido em que a disputa pela direção ameaçava a liderança de Pablo Iglesias. Segundo os estatutos do partido, o segundo congresso só se realizaria três anos depois do congresso fundacional, conhecido por Vistalegre I, mas a direção concordou em antecipar o encontro.

Iglesias era o principal candidato à liderança do partido e obteve 89,09% dos votos. Na eleição para o órgão de direção, o chamado Conselho Cidadão Estatal, o embate entre a lista de Iglesias e a da Íñigo Errejón poderia por em causa a liderança do partido (já que Iglesias anunciou que, se perdesse a maioria do órgão, se demitiria de lider do Podemos). No entanto, a lista de Iglesas, “Podemos para todas”, venceu claramente com 50,78% dos votos correspondendo a 37 dos 62 mandatos. “Recuperar a esperança”, a lista encabeçada por Errejón, obteve 33,68% dos votos e 23 mandatos. A novidade foi que lista da ala mais à esquerda do partido, representada pelo eurodeputado Miguel Urbán e por Teresa Rodríguez, secretária geral do Podemos na Andaluzia, “Podemos em movimento”, obteve 13,11% dos votos e pela primeira vez elegeu dois mandatos para a direção.

As divisões entre Iglesias e Errejón já se faziam notar há vários meses, tendo Errejón manifestado-se contra a coligação eleitoral do Podemos com a Esquerda Unida, no Unidos Podemos, que se apresentou às últimas duas eleições para o parlamento estatal e que se mantém até ao momento. Ambos os dirigentes reclamam para si o espírito do “Podemos original” e as diferenças entre ambos têm sido discutidas publicamente.

Errejón, que desde junho é porta-voz do grupo parlamentar, é membro do Conselho de Coordenação sendo responsável pela Secretaria Política e coordenador das campanhas eleitorais do Podemos. Queria conquistar o eleitorado socialista e, apesar do seu cargo no grupo parlamentar, acusa o partido de ter perdido algumas bandeiras importantes do partido para o PSOE, o que Iglesias descreve ironicamente como uma autocrítica da parte de Íñigo. Errejón acabou ser derrotado no congresso, e, nos votos individuais para a direção, ficou mesmo atrás de Pablo Echenique, que estava em segundo lugar na lista de Iglesias.

No meio da disputa interna por lugares de poder, o “Podemos em Movimento”, o grupo mais à esquerda do partido, acabou por aproveitar e crescer na sua base de militância e, durante o congresso, acabou por ser quem teve intervenções de caráter mais político de tal forma que Raúl Solís no Huffington Post afirmou “quem havia de dizer que iam ser os anticapitalistas, a corrente mais ideologizada e menos pósmoderna do Podemos, que ia trazer sanidade, elegância e sensatez ao processo interno”.

No seu discurso, Miguel Urbán recebeu uma ovação no primeiro dia de debates quando afirmou “somos tão grandes quanto os inimigos que escolhemos, e tão pequenos como o medo que lhes tenhamos. Não há inimigos aqui, aqui somos companheiros. Os nossos inimigos são poderosos e não nos podemos enganar nos inimigos que temos”.

Iglesias, que continua a defender o seu modelo de um partido “com um pé no Parlamento e mil pés na sociedade”, afirmou no primeiro dia que “há um mandato unânime para este conselho cidadão e para este secretário geral: unidade e humildade. Seguramente cometemos muitos erros, é impossível não se enganar. Mas quero comprometer-me convosco com algo: nunca nos enganaremos de lado”.

Fonte: Esquerda.net

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