Metáfora

Publicado em: 17/05/2011 às 10:04
Metáfora

Por Julio Rudman.

Português/Español. Tem notícias que parecem redigidas por algum poeta maldito, esses que se encarregam de remexer no lixo da alma humana e expõem os nossos piores pesadelos. Pena que, ao contrário, já não fiquem jornalistas que poetizem certas notícias.
O Diretor Gerente de nosso bem-amado Fundo Monetário Internacional, o ilustre político socialista! francês, Dominique Strauss-Kahn, parece que esteve brincando com uma camareira do Hotel Sofitel, de Nova Iorque, a tocou, quis tirar a suas roupas e a obrigou a lhe fazer sexo oral no quarto 302, a três mil dólares por noite (a tarifa do hotel, não a oralidade). Tudo, supostamente. Não se conhece, até onde  eu sei, a identidade nem a foto da vítima denunciante, só que tem 32 aninhos e que seus companheirinhos de labuta a respaldam (não digo a apóiam para evitar ambiguidades, sempre perversas). Como no caso da morte de Bin Laden: sem fotos, sem vergonha ou semvergonha.
Voltando pro capo dos tutores da ortodoxia financeira mundial, parece que vão fazer uma análise de ADN e vão comparar com os restos que, outra vez supostamente, tenha a menina sob as unhinhas. Salvo que nossa prócer da verdade mediática impoluta, Ernestina Herrera de Noble, lhe dê um curso acelerado de como debochar da justiça, pelo menos por uma década.
A questão é que o gol de Palermo e suas lágrimas de emoção me sumiram num estado de reflexão tão intenso que descobri, para minha própria surpresa, que o que o pícaro Dominique tinha, ufa supostamente, fato com a camareirinha não era nada diferente do que vem fazendo com a prestigiosa instituição que o distinguido acusado gerencia.
Nos perseguiu pelos corredores da economia global, meteu a mão nas nossas posses, tentou nos despir, o seja nos deixar pelados (e tantas vezes o conseguiu com a cumplicidade explícita e implícita de nossos gerentinhos da vez) e, talvez a única diferença, esses mesmos gerentinhos fizeram-lhe sexo oral quase com fruição digna de melhor causa.
Faz um tempo, pouco tempo se consideramos a perspectiva histórica, que não nos perseguem pelos corredores, já não nos metem a mão nas roupas (embora não falte vontade) e podemos olhar pra eles como se olha para uns velhinhos perversos. Com uma mistura de nojo e certo sorriso enigmático, como lembrando que alguma vez alguém se decidiu a fazer o que era preciso e pagou todos os serviços prestados e os mandou para a puta que os pariu em Breton Woods.
Apenas, uma metáfora.

Versão em português: Tali Feld Gleiser.

Metáfora

Hay noticias que parecen redactadas por algún poeta maldito, esos que se encargan de revolver en la basura del alma humana y sacan a la luz nuestras peores pesadillas. Lástima que, al revés, ya no queden periodistas que poeticen ciertas noticias.
El Director Gerente de nuestro bienamado Fondo Monetario Internacional, el ilustre político ¡socialista! francés, Dominique Strauss-Kahn, parece que anduvo correteando a una mucama del Hotel Sofitel, de New York, la manoseó, quiso sacarle la ropa y la obligó a practicarle sexo oral en la habitación 302, a 3 lucas verdes la noche (la tarifa del hotel, no la oralidad). Todo, presuntamente. No se conoce, hasta donde yo sé, la identidad ni la foto de la víctima denunciante, sólo que tiene 32 añitos y que sus compañeritos de laburo la respaldan (no digo la apoyan para evitar ambigüedades, siempre perversas). Como en el caso de la muerte de Bin Laden: sin fotos, sin vergüenza el sinvergüenza.
Volviendo al capo de los tutores de la ortodoxia financiera mundial, parece que le van a hacer un análisis de ADN y lo van a comparar con los restos que, otra vez presuntamente, tenga la niña bajo las uñitas. Salvo que nuestra prócer de la verdad mediática impoluta, Ernestina Herrera de Noble, le dé un curso acelerado de cómo burlarse de la justicia, por lo menos por una década.
La cuestión es que el gol de Palermo y sus lágrimas de emoción me sumieron en un estado de reflexión tan intenso que descubrí, para mi propia sorpresa, que lo que el pícaro Dominique había, uf presuntamente, hecho con la mucamita no era nada distinto a lo que viene haciendo la prestigiosa institución que el distinguido acusado gerencia.
Nos ha perseguido por los pasillos de la economía global, nos ha manoseado las ricuras (perdón, las riquezas), ha intentado desnudarnos, o sea dejarnos en bolas y tetas (y tantas veces lo ha conseguido con la complicidad explícita e implícita de nuestros gerentitos de turno) y, tal vez la única diferencia, esos mismos gerentitos le han practicado sexo oral casi con fruición digna de mejor causa.
Hace un tiempo, poco tiempo si tomamos perspectiva histórica, que no nos andan correteando por los pasillos, ya no nos manotean las ropas (aunque ganas no les faltan) y podemos mirarlos como se mira a los viejitos perversos. Con una mezcla de asco y cierta sonrisa enigmática, como recordando que alguna vez alguien se puso los pantalones y les pagó todos los servicios prestados y los mandó a la puta madre que los parió en Breton Woods.
Apenas, una metáfora.

 

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