Me mato ou tomo um café?

Publicado em: 08/02/2014 às 16:18
Me mato ou tomo um café?

 Luciane 2

Por Luciane Recieri Dallabrida.*

O pós-guerra trouxe uma geração apaixonada. Trouxe? Me parece. Ou foi um vácuo tão grande que fez com que o humano se aproximasse do amor? Daí veio a Sony fazendo rádio transistorizado produzido em massa. Massa. IBM e os cérebros eletrônicos. Sputnik. O Jânio proibindo o rock’n’roll nas festinhas. 800 galáxias comprovam o Big Bang. A Comissão de Energia Atômica dos EUA anuncia a bomba H estava pronta para ser usada. Kerouac e os beats, muito transviada a juventude com um coração de plástico transplantado. Olho os livros de registro hoje, este que tenho nas mãos começa em 1955, termina em 1959, ano da Revolução… e aí nasceu a marca identitária de um povo. Tenho que achar a Elza… não presto atenção. Elza não está aqui. Inventaram a vacina contra a pólio. Chanel reabre sua maison. Minha mãe se casou com meu pai. Ela 18 e ele 18. Em uma década e pouco teria todos nós. Nove. De nós. Só os últimos três tomaram a vacina contra a poliomelite. O Adhemar de Barros, maldito, vendeu as nossas vacinas, o Lamarca roubou o dinheiro, ladrão que rouba de ladrão tem cem anos de perdão. Observação: isso não foi na década de 50, mas vale lembrar. E eu reviro o livro atrás da Elza que não está. Os nomes que davam às crianças nesta década eram feios. Os nomes que se dão às crianças agora são feios e sempre foi assim – um tempo só de Márcias, um tempo só de Elisas, não que sejam feios, mas como somos repetitivos! 50 em 5. Como pode um peixe vivo? E me dá sono. Terminamos o ano da revolução, começo a nonsense década de 60 e nada da Elza. Faltam 8 anos pra eu nascer e aqui, morrendo de sono, imaginando coisas e pensando como uma criança poderia morrer por negligência médica em 1950. E como pode hoje? Soube de três crianças nestes últimos três dias. O pós nada traz que tipo de geração? A um passo da eternidade com escandaloso beijo e eu aqui no maior marasmo procurando por uma Elza que insiste estar aqui, mas não está. Bocejos, críticas sensoriais. Me mato ou tomo um café?

 *Retrato da autora por Lincoln Richard.

Deixe uma resposta