Loureci: O inferno de Dante nas Baías

Entrevista de Raul Fitipaldi para Desacato.

Loureci Ribeiro é uma das lideranças mais importantes e visíveis do movimento em Defesa da Ponta do Coral. Arquiteto, Loureci tem dedicado boa parte de sua militância à defesa ambiental e cultural da Cidade de Florianópolis, participando das frentes de luta que abraçam esses temas. É membro da Camara Municipal de Meio Ambiente e Saneamento do Fórum da Cidade.

1. – Loureci, neste momento lembramos da luta vitoriosa pelo Parque da Luz, na cabeceira da Ilha, e do saudoso companheiro Etienne. Também as lutas da comunidade da Barra da Lagoa vitoriosas para a não implantação da Marina da Barra. Hoje é a mesma situação com a Ponta do Coral, ou é um cenário diferente daquele?

Apesar os atores politicos, institucionais-comunitários-sociais serrem os mesmos, com certeza a situação é mais grave e a cena do poder político é mais delicado, tanto no campo municipal, estadual e federal, onde as nossas conquistas no campo do ordenamento jurídico legislativo estão sendo tratamos como letras mortas por nossos governantes, e não só por grupos inescrupulosos do setor imobiliário e da construção civil. Basta vermos o que fizeram com o Código Ambiental Estadual, o que pretendem com o Código Florestal Nacional e a verdadeira colcha de retalhos podre que virou o nosso Plano Diretor e o processo anti-democrático de condução do atual processo de elaboração do novo Plano Diretor de Florianópolis, onde estamos a beira de um golpe articulado pelas forças criminalizadas pela OPERAÇÃO MOEDA VERDE, na sociedade e no governo.

 2 – A quem não interessa a Defesa da Ponta do Coral 100% Pública e a instalação de um Parque Cultural na cidade?

Aos setores que acima citados, representantes das elites politica atrasadas, empresários, prefeitos e vereadores inescrupulosos, que fazem da coisa pública e dos cargos públicos, instrumentos e objetos de suas rendas e de seus financiadores de campanha. Estes não tratam nossa cidade como espaço de realização plena e digna de vida para o conjunto da população e para nossas futuras gerações.

 

3 – Você observa um embate entre dois modelos de cidade? Um, das corporações, inclusive do Executivo Municipal e, outro das pessoas que produzem as riquezas e a Cultura da cidade?

Sem a menor dúvida é disso que se trata. De um lado um modelo que remonta a cultura, tradição e potenciais, de nossa gente e da formação da paisagem natural da região, que fazem desta cidade um encanto internacional, onde podemos dar abrigo e condições dignas de vida e de desenvolvimento economico e social em, harmonia com a natureza. Do outro lado aqueles que para suprir seus desejos de renda particular destroem a galinhas dos nossos ovos de ouro que é a cultura da população açoriana, dos povos do mar e da natureza, nos impondo em cada esquina um Shopping, um Resort, um prédio/condomínio sobre aterros no mar, mangues, rios, córregos e encostas. Ao ponto que na última pesquisa do Instituto Mapa/RBS/Camara de Vereadores que aponta 16% da população preocupada com as construtoras ocupando encostas e apenas 13% com as favelas. Um dado revelador que é escondido pela imprensa.

4 – É verdadeiro que Florianópolis está destinada a alojar um modelo de turismo de estilo parecido a cidades dos Estados Unidos ou, pode receber um turismo não depredador durante as quatro estações do ano, que gere empregos mais constantes e regulares, mantendo as produções materiais, econômicas e culturais da Cidade?

A mesma pesquisa de opinião diz que a população nega os modelos cosmopolitas, que querem um modelo de baixo impacto ambiental que respeite a cultura e modo de vida da população local. Ou seja este é o sentimento que está expresso nas diretrizes das audiencias públicas de todos os núcleos populares de gestão do novo Plano Diretor e que os emprasarios do setor imobiliário e o Prefeito negam na versão do Plano em debate na cidade.

 5 – Você conhece o Projeto de Cidades Modelo que vem fracasando em todos os países, e é imposto desde critérios subordinados à lógica das empresas norte-americnas onde se criam espaços fechados para ricos, com segurança privada e arredor, uma massa de serviços de fora dessas muralhas. Esse é o Projeto que as administrações municipais e os legislativos de Florianópolis, aliadas ao empresariado, defendem como modelo para a Capital do Estado?

Não dá mais para falar em empresas norte-americana, pois o capital internacional esta fortemente associado, mas na essência é sobre a lógica da cultura empresarial e politica norte americana que nega a diversidade cultural, ambiental e a autodeterminação dos povos. Esta é a lógica de nossas elites política e economicas tupyniquim, e pior ainda isso vem tomando corpo nos setores históricos das forças politicas da da oposição oficial institucional.

6 – Quais são os prejuízos mais severos do projeto da empresa Hantei e das suas aliadas econômicas, comunicacionais e políticas?

É a implantação de um modelo urbana de ocupação de nossas baias e territóriso que vão levar a sua destruição, pela deformação da paisagem natural e cultural, pela exaustão da infraestrutura urbana, pela morte da vidas das baias norte e sul que virarão simples vias náuticas. è a morte da pesca artesanal, da nossa produção de 80% das ostras nacionais, é o inferno de Dante patrocinados pela ganancia e com a conivencia e parceria do RBS a vender para a sociedade que isso tudo é para o bem da população. A Marina, Centro Comercial e Hotel da Hantei na Ponta do Coral, é o caminho aberrtoa para se aterrar a orla continental, fazendo daqui uma Dubai com grilagem de patrimonio público da união, portanate de todos os brasileiros. Por isso é quie não iremos deixar que isso aconteça. É uma questão de direito a vida plena da sociedade e da natureza.

7 – Que deve fazer o cidadão de Florianópolis para defender seu rico patrimônio e sua qualidade de vida?

Buscar se esclarecer e se envolver nos discussões que estão ocorrendo, participando das reuniões, redes sociais, audiencias públicas, debates e procurando participar das ongs, entidades e organizações de bairro e de categorias profissionais que estão envolvidas nos debates.

 8 – Quais são os passos imediatos?

De imediato para quem queira se envolver na nossa perspectiva de cidade e de uso público daquela área, pedimos que participe, mobilize, assine o abaixo-assinado da Lei de Iniciativa Popular de Alteração do Zoneamento da Ponta do Coral e Ponta do Lessa, e que Cria o PARQUE CULTURAL DAS 3 PONTAS. E hoje participe do nosso ATO CULTURAL na área que acontecerá das 14 as 20h. E acesse o sitio do projeto. http.parqueculturaldas3pontas

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