Judith Butler é agredida ao embarcar no aeroporto de Congonhas

Publicado em: 10/11/2017 às 18:42

Mulher também proferiu insultos racistas contra a atriz e MC Danieli Lima, que interveio ao testemunhar a violência.

Judith Butler é agredida ao embarcar no aeroporto de Congonhas

A filósofa Judith Butler, 61 anos, foi agredida ao embarcar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na manhã desta sexta-feira 10. Segundo relatos de testemunhas, a escritora estava na área de check-in quando foi perseguida por uma mulher que segurava um cartaz com a foto desfigurada de Butler e gritava repetidos xingamentos, além de empurrar o cartaz feito de madeira e cartolina na direção da filósofa e de sua esposa, a cientista política Wendy Brown.

A mesma mulher que hostilizou as duas também proferiu insultos racistas à atriz/MC Danieli Lima, 30 anos, que tentou intervir ao perceber a violência contra a filósofa.

“Vi a Judith Butler passando e uma senhora atrás com uma placa na mão chamando de pedófila, nojenta, que não era bem vinda no Brasil. Ela estava muito exaltada, uma agressividade muito grande, xingava em inglês e português e empurrava ela com o cartaz”, explicou ela, que estava embarcando para o Rio de Janeiro.

“Eu fui atrás e falei que ela não poderia fazer isso, que ela precisava respeitar as pessoas”, conta ela, cujo nome artístico é Dani Nega.

Em seguida, a mulher virou-se para Danieli, abriu os braços e começou a gritar:

“Quem é você? Você é feia, feia, olha o seu cabelo, olha a sua cor, vai pentear o cabelo, você é feia!”, relatou a testemunha, que registrou boletim de ocorrência na delegacia no próprio aeroporto por racismo.

Segundo ela, a agressão durou cerca de 10 minutos e ocorreu por volta das 9h40. “Ela estava muito exaltada, foi uma das coisas mais desumanas que eu já vi. Falei que racismo era crime, ela tentou ir embora, mas o delegado a conduziu para a delegacia”, afirma Danieli, que escreveu também sobre o caso nas redes sociais.

O episódio foi confirmado pela Infraero, que afirmou que houve registros de gritos em Congonhas e que a segurança “agiu para garantir o embarque da escritora”.

Fonte: Carta Capital

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