Jovem assediada por professor de direito da UnB comete suicídio

Poucos minutos antes de cometer suicídio, jovem de 25 anos anunciou em carta divulgada no Facebook que tiraria a própria vida. Na postagem, Ariadne relata as perseguições que sofria do professor, que também é Procurador do DF, casado e de "reputação impecável".

Jovem assediada por professor de direito da UnB comete suicídio

O corpo da bacharel em direito Ariane Wojcik, de 25 anos, foi encontrado por equipes do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) nesta quarta-feira (9) em um ponto turístico de Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá.

A jovem desapareceu após fazer post denunciando um professor por assédio durante um estágio (íntegra abaixo). Segundo a Polícia Civil, um inquérito deve ser aberto para investigar a causa da morte.

A suspeita é de que ela chegou no Mirante em um táxi e se jogou logo em seguida. No local, o delegado encontrou a bolsa dela, com documentos pessoais e uma carta de despedida.

De acordo com o delegado Diego Martiminiano, pessoas próximas à jovem devem ser ouvidas nos próximos dias. “O taxista que levou a jovem até o local onde ela foi encontrada deve prestar depoimento. Os pais da jovem também vão ser ouvidos”, afirmou.

Na manhã desta quarta-feira (9), Ariadne publicou no Facebook uma carta afirmando que era assediada por um professor de Direito Tributário da Universidade de Brasília (Unb). Ela estagiava no escritório do docente.

“Comecei no estágio novo super empolgada, eu achava aquele professor o máximo, extremamente inteligente, detalhista, perspicaz, minucioso, brilhante. Como poderia ser ruim? Até que as coisas começaram a ficar esquisitas, vários presentes injustificados, mensagens por WhatsApp totalmente fora do contexto do trabalho (P. ex: “sou seu fã”, ou “você é demais”) e fora de hora, muitas, muitas, muitas, perguntas de cunho pessoal. Na época eu desconfiava, mas pensava: acho que não, ele é professor da UnB, me deu 1 ano de aula, é procurador do DF, tem um currículo e uma reputação impecável, é casado, ele não faria isso”, escreveu.

“As coisas ficaram muito estranhas quando ele demonstrava que sabia todos os lugares onde eu ia, sabia o teor das minhas conversas por WhatsApp, com quem eu falava, sabia as páginas que eu acessava no meu computador pessoal”, relatou.

Na mensagem, Ariadne comentou que mesmo pedindo demissão – e conseguindo um emprego no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em Cuiabá, sua terra natal -, as perseguições teriam continuado.

“Eu achava que aqui, em Cuiabá, no emprego novo, na vida nova, eu estaria a salvo da perseguição dele, mas ele nunca desiste, nunca”, contou.

No fim, ela afirmou que está “exausta” e que não tem mais forças para desvencilhar das “artimanhas” do agressor. Ela deixou transparecer também que sabia de negócios “obscuros” do ex-chefe e pediu para alguém pará-lo.

“Que na próxima reencarnação eu possa fazer uso de todo aprendizado que tudo isso me trouxe, mesmo com tanta dor e sofrimento. Essa vida eu já não posso mais suportar, que Deus me perdoe e me entenda, mas ele já sabia, ele sempre sabe”, finalizou.

Leia a íntegra da carta:

Fonte: Pragmatismo Político.

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