Honduras: jornalismo sob a mira de fuzil (11)

Publicado em: 26/09/2011 às 10:01
Honduras: jornalismo sob a mira de fuzil (11)

Por Larissa Cabral

Especial em 11 capítulos

Parte 11/11

 

RECOMEÇO – Honduras ainda está se transformando, não só na área da Comunicação, mas por todos os cantos e sem dúvida, o golpe de Estado de 2009 foi o marco para todas as mudanças. O episódio ainda está muito presente no cotidiano dos hondurenhos e o processo de reacomodação e reconfiguração desse povo, seu governo e sua relação com a comunidade internacional não serão concluídos em pouco tempo.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou, por 32 votos a favor e um contra (Equador), a readmissão de Honduras, no dia 1º de junho de 2011. O país foi suspenso da entidade no dia 5 de julho de 2009, após o presidente Manuel Zelaya ter sido derrubado por golpe de Estado. No dia 28 de maio de 2011, Zelaya retornou a Honduras, condição imposta por alguns membros da OEA para apoiar a readmissão.

Após seu retorno, o presidente deposto pediu à comunidade internacional que reconheça o governo de Porfirio Lobo Sosa, eleito em 2009. O fato foi possibilitado pelo acordo de Cartagena, que cria bases para a reincorporação de Honduras à comunidade internacional. Além disso, o país ganhou aval para voltar ao bloco chamado Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), que é comandado pela Venezuela.

Nessa   ocasião,  os  EUA  foram  lembrados  e  criticados  pelo  fracasso  do  Acordo  de San José, que previa o retorno de Zelaya, com a instituição de um governo de unidade que liderasse a transição e organizasse as eleições, sem a alteração da Constituição. A nova negociação entre Zelaya e Lobo foi conduzida por Chávez e pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

Existem algumas questões que precisam ser levantadas depois do acordo: a redação inicial da resolução não fala explicitamente em “golpe” contra o ex-presidente Manuel Zelaya; o governo do Equador reclama que, nos atuais termos, aqueles que praticaram o golpe contra Zelaya não terão de responder na Justiça por seus atos. Alguns dirigentes da Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) rejeitam o regresso de Honduras à OEA por considerarem que os crimes contra os direitos humanos no país continuam impunes.

O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que seu país não apoiará o retorno de Honduras à OEA, enquanto os responsáveis pela deposição de Zelaya não forem julgados e punidos. O acordo de Cartagena, mediado por Colômbia e Venezuela, prevê também o reconhecimento da FNRP como partido político e a realização de uma consulta popular que pode abrir caminho para a Assembleia Constituinte.

Antes desse acordo, a Justiça de Honduras anulou os processos de corrupção e ordem de prisão contra o ex-presidente, emitidos durante o polêmico período do governo de Roberto Michelleti. A consulta popular que Zelaya propunha, na época, modificaria a Carta Magna do país, mas os críticos do presidente deposto afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.

Ao   retornar  a  Honduras,  Zelaya   afirmou  que  promoverá  a  reconciliação  nacional,  o  respeito e indenização às vítimas de  violações  de  direitos  humanos  durante  a crise que derrubou  seu  governo  e  que continuará com o processo para  a  realização   do  plebiscito  para  promover  uma   Assembléia  Constituinte – argumento utilizado pela oposição para sua deposição.

Hondurenhos   celebraram   com  uma  verdadeira  festa  popular o retorno de Manuel Zelaya, que vinha da  Nicarágua  em avião venezuelano, no dia 28 de maio. Ele foi recebido por familiares e milhares de  simpatizantes no aeroporto  internacional  de Tocontín,  enquanto  representantes  da  FNRP  mostravam  cartazes  com  a  frase  “Esperamos  700  dias  em  resistência”.

Os desafios acompanham o país e a sociedade hondurenha, na medida em que as mudanças acontecem. Em 2014 deve assumir um novo governo, que encontrará dificuldades históricas para administrar, mas também problemas recentes e consequentes do golpe. Para a Unicef, esse fato representou um freio brusco no processo de desenvolvimento de Honduras. Atualmente, mais de 60% dos hondurenhos vivem com menos de US$ 1 por dia, o que significa pobreza extrema, já que a cesta básica com 30 itens, para uma família de cinco membros, por exemplo, custa US$ 338,00.

As mudanças que Honduras precisa são profundas, mas espera-se que elas aconteçam sobretudo, com base na justiça, tão pouco praticada nesse país centro-americano. A sensação, contudo, é de esperança, pois a coragem e força na luta começaram a mostrar resultados, sobretudo, na consciência de seus cidadãos, que se amplia e exige mudanças.

 

Caros leitores, preparo uma surpresa a mais com material exclusivo sobre Honduras.

Pretendo publicar ainda nesta semana. Aguardem!

 

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