Há 20 anos a OTAN cometeu crimes contra o povo iugoslavo

Foto: Wikimedia

Por José Reinaldo Carvalho, para Brasil 247

No último domingo (24), transcorreu o 20º aniversário dos bombardeios da Otan, no conflito que entrou para a história como a Guerra do Kosovo, que deixou mais de 13 mil mortos.

Em várias cidades foram organizadas cerimônias para recordar o início da agressão da OTAN.

No dia 24 de março de 1999, a OTAN lançou uma campanha de bombardeios aéreos contra a antiga Iugoslávia, da qual faziam parte a Sérvia e Montenegro, para encerrar obrigar os sérvios a retirarem suas tropas da região do Kosovo. A agressão da Otan foi uma ação sem precedentes contra um Estado soberano em 50 anos de existência da Aliança Atlântica.

Durante 78 dias, a OTAN atacou dezenas de alvos militares, infraestruturas, escolas, hospitais, residências, atingindo em cheio a população civil da capital iugoslava, Belgrado.

No dia 10 de junho de 1999, o dirigente sérvio Slobodan Milosevic ordenou a retirada das tropas sérvias do Kosovo. Em julho, a província sérvia foi colocada sob administração da ONU e em 2008 proclamou independência.

A brasileira Socorro Gomes, presidenta do Conselho Mundial da Paz, encontra-se em Belgrado, capital da Sérvia, onde participa dos eventos que rememoram a os acontecimentos de 20 anos atrás e de uma conferência sobre o papel da OTAN.

Em entrevista ao Brasil 247, por telefone, diretamente de Belgrado, ela critica com veemência a ação da Otan desencadeada em 24 de março de 1999: “Foi uma força colossal, que incluiu os mais modernos meios de aviação e as mais sofisticadas armas de destruição. A guerra da Otan contra a Iugoslava provocou danos irreparáveis, humanos e materiais: milhares de vidas, mutilações e devastação da infra-estrutura do país”.

A presidenta do Conselho Mundial da Paz sustenta que os bombardeios da Otan contra a Iugoslávia “foram uma brutal agressão a um país soberano, reconhecido internacionalmente, com plenas relações diplomáticas, econômicas, comerciais e culturais em todo o mundo, membro da Organização das Nações Unidas desde a sua fundação, dotado de governo próprio, parlamento, corte de justiça, Constituição. Um país organizado, em luta pelo progresso econômico e social, por sua unidade, pela convivência entre as diversas nacionalidades que o compunham, um país pacífico que não tinha atentado jamais contra a soberania de nenhum outro nem à paz regional”.

Contundente, Socorro Gomes diz que “a guerra contra a Iugoslávia foi mais um destes acontecimentos a demonstrar as ameaças à paz mundial, ao equilíbrio diplomático, à ordem institucional, ao direito internacional, um trágico episódio, às custas do povo iugoslavo, a demonstrar que o século XX terminava como a época da subordinação de todas as nações do Planeta aos ditames e aos interesses estratégicos do imperialismo norte-americano e seus aliados, o que configura com traços de dramaticidade o retrocesso civilizacional ocorrido desde a destruição das conquistas do socialismo no Leste europeu”.

A ativista da luta pela paz afirma que os movimentos políticos e sociais precisam tirar lições daqueles acontecimentos de 20 anos atrás para que não se repitam. “A guerra da Otan contra a Iugoslávia fez soar naquele momento o dobre de finados do sistema multilateral e revelou os desígnios do imperialismo estadunidense e seus aliados da Otan de impor um domínio unipolar no mundo”.

Socorro Gomes também denunciou o papel da mídia empresarial porque antes dos bombardeios “houve uma densa campanha de desinformação e condenação ao governo iugoslavo”.

E chamou a atenção de que “as guerras na antiga Iugoslávia – Bósnia e Kosovo – foram as primeiras em que a Otan atuou fora da sua área geográfica, o que construiu um novo marco geopolítico e estratégico – a expansão da Aliança Atlântica, um processo que chega até os dias de hoje”.

Resistência, com Brasil 247

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