Florianópolis ganha escola experimental e temporária de arte, educação e imaginação política

Projeto de autoria das curadoras e pesquisadoras em arte Kamilla Nunes e Mônica Hoff, do Espaço Embarcação, a Escola Extraordinária da Embarcação (EEE) propõe repensar o sistema de educação por meio da experimentação artística, da imaginação crítica e do debate coletivo.  "Escola para reprogramar" com Cristina Ribas abre a programação no próximo fim de semana, 09 e 10 de junho. Inscrições abertas e gratuitas.

Foto: Divulgação.

A Escola Extraordinária da Embarcação (EEE) é um projeto de Kamilla Nunes e Mônica Hoff em colaboração com artistas, pesquisadores e muitas outras gentes. Como uma grande conversa pública realizada ao redor do conceito de escola, seus sentidos, margens e construções históricas, políticas e sociais, é formada por outras três escolas, cada uma concebida por um(a) artista/pesquisador(a)/convidado(a) – Cristina Ribas, Daniela Castro e Fabio Tremonte.

A EEE será realizada ao longo do mês de junho, sendo sua primeira atividade a “Escola para reprogramar” ministrada pela artista Cristina Ribas, nos dias 09 e 10 de junho, das 14h às 17h, em parceria com o Laboratório de Ensaios e Imprevistos, na sala Dança 1, no CEART, na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

A definição dos artistas convidados, segundo as curadoras, levou em consideração a diversidade de metodologias, práticas e debates que serão propostos na particularidade de casa escola, e também na soma de todas. A intenção é expandir o lugar do debate acerca das relações entre arte, educação e política a partir de conversas públicas, oficinas, um seminário na rua, comidas coletivas e ações com a comunidade local e seus públicos.

“A arte é uma maneira de entendimento do mundo, logo um grande sistema de educação crítica. Deste modo, quando pensamos a Escola Extraordinária nossa intenção não é de gerar um novo modelo ou por abaixo os que já existem, mas sendo uma instituição experimental e temporária, assumir ao mesmo tempo uma dimensão crítica e autocrítica sobre o fazer/ser escola. Deste modo, solicitamos a três pesquisadores em arte que propusessem cada um uma escola como tentativa de compreender na prática de que maneira e sob quais circunstâncias arte, educação e imaginação política juntas podem nos ensinar novas formas de estar no mundo e de construir conhecimento”, explicam Kamila e Mônica.

O nome do projeto não é, deste modo, uma escolha ao acaso. Ao apresentar-se como extraordinária, a escola assume tanto a ambiguidade de ‘ser ordinária no extra’ e de ‘ser extra no ordinário’ como toma para si uma responsabilidade crítica que é construída, de antemão, desde uma dimensão autocrítica. Inesperada e excessiva; esplêndida ou inacreditável; inusual, irregular, estapafúrdia ou fabulosa; fora de lugar e inimaginável – a Escola Extraordinária assume o risco de ser tudo isso e nada disso. A possibilidade de existência de uma escola extraordinária está, portanto, diretamente relacionada a sua capacidade de ser suficientemente ordinária, comum, presente.

Os questionamentos são muitos. O que significa criar uma escola? Quais sentidos se produz numa escola? Para que servem? Qual o seu papel e como refazê-lo no campo da arte? O que queremos aprender, ensinar? E principalmente: o que acontece se nos colocamos diante da possibilidade de construirmos escolas onde vamos ensinar/compartilhar o que, na verdade, queremos aprender? “, propõem as idealizadoras.

Os artistas e as escolas

Cristina Ribas abre a programação nos dias 09 e 10 de junho, com a “Escola para Reprogramar”, das 14h às 17h, na sala Dança 1, no CEART, na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). A proposta é trabalhar com estudantes em processo de formação e pessoas já atuantes com educação, linguagens e dispositivos artísticos e terapêuticos na abordagem da educação. Serão dois encontros abertos com um grupo formado via convocatória – aberto a interessados e totalmente gratuito – para analisar a temática como a educação faz parte de um sistema de reprodução social que precisa ser revisto.

A artista quer problematizar a estrutura social meritocrática organizada a partir de algumas instituições com uma série de perguntas sobre o sistema educacional partindo do conceito de meritocracia. Para isso adota a ideia de um contra-privilégio” como afirmação antagonizante, realizando duas escolas que acontecem em dois momentos e com grupos distintos: a Escola para questionar a escola e a Escola para reprogramar. Em ambas escolas a proposta é através de uma pesquisa coletiva elencar alternativas que surgem das lutas anti-racismo, dos feminismos, e de experiências institucionais que vão conseguir contornar e reverter tais exclusões.

Na Escola para questionar a escola a ideia é criar um grupo heterogêneo com jovens que tenham experimentado exclusão ou dificuldade de ingressar no sistema educacional formal ou tenham experimentado a reprovação ou dificuldade de ingressar na universidade ou cursos técnicos.

Na Escola para reprogramar, que será realizada nos próximos dias 9 e 10 de junho, serão encontros abertos com um grupo formado via convocatória (aberto a interessados e gratuito), se trabalhará a partir de perguntas, adicionando a isso a proposição de novas formas de pensar o sistema educacional e os sistemas vários de reprodução social. Para esta atividade são 30 vagas gratuitas destinadas aos estudantes de graduação da UDESC, UFSC e IFSC dos cursos de artes, música, teatro entre outros. As inscrições devem ser feitas por e-mail [email protected] até dia 08 de junho.

O artista Fábio Tremonte apresenta seu [des]programa da Escola da Floresta na Escola Extraordinária em quatro encontros que vão retomar a história e saberes dos povos latino-americanos, tanto os originários que guardam suas origens numa tradição anterior à chegada dos europeus, quanto aqueles que se constituíram a partir desse encontro. O artista busca na ideia de autonomia e liberdade fazer frente a esse processo que assombra o território latino-americano desde os primórdios de sua constituição e assim imaginar novas formas de vida.

E a curadora Daniela Castro que traz duas ações para o projeto. A primeira delas “Corpos vibráteis: corpos políticos, intervenções políticas em espaços políticos” que propõe encontros entre pessoas que atuam em diferentes áreas da vida social – militantes, artistas, críticos da cultura, profissionais da saúde, educação, transporte, curadores, ativistas, universitários etc – para juntos tecerem uma rede de afeto de forma espontânea. A segunda “Querência/Reverberação” sugere exercício corporal de proteção do corpo vibrátil e capacidade reverberativa do corpo coletivo-afetivo.

A Escola Extraordinária da Embarcação é viabilizada pelo Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura e conta com o apoio da Funcultura, Fundação Catarinense de Cultura, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Espaço Embarcação e Moinho Pensamentos em Movimento.

Sobre as curadoras e o Espaço Embarcação:

A Embarcação é um espaço de arte autônomo, experimental e nômade, criado em 2016 pelas curadoras Kamilla Nunes e Mônica Hoff, voltado à investigação artística, ao debate crítico. É, também, um projeto que busca discutir e articular novas formas de trabalho, pesquisa, colaboração e produção em/a partir/com/sobre arte. Organiza-se por meio de programas, grupos de estudos e ações que visam colocar em diálogo o debate artístico contemporâneo com as especificidades locais e contextuais. Sua sede está localizada na Tv. Leopoldo João Santos, 113 – Lagoa da Conceição, Florianópolis.

SERVIÇO
O que: “Escola para reprogramar” com Cristina Ribas
Quando: 09 e 10 de junho
Horário: 14h às 17h
Onde: sala Dança 1, no CEART, na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Vagas abertas gratuitas: destinadas aos estudantes de graduação da UDESC, UFSC e IFSC dos cursos de artes, música, teatro, pedagogia, história, entre outros. As inscrições devem ser feitas por e-mail [email protected]com até dia 08 de junho.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.