Flávio Bolsonaro está ‘com medo’, diz Ivan Valente, após tentativa de intimidação com boletim de ocorrência

Senador registrou BO contra o deputado do Psol após pedido de investigação sobre compra de mansão. “Não tenho medo de miliciano”, disse Ivan

Para Fábio Trad (PSD-MS), BO de Flávio deveria integrar “livro de crônicas cômicas do Direito”. Reprodução/ Rede Brasil Atual

O deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) classificou como um “movimento intimidatório” o boletim de ocorrência registrado contra ele pelo senador Flávio Bolsonaro por suposta denunciação caluniosa. O fato ocorreu após Ivan ter protocolado pedido no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MP-DF) para investigar empréstimo concedido pelo Banco de Brasília (BRB) ao senador para a compra de uma mansão na capital federal.

Na ocorrência registrada por Flávio Bolsonaro, ele afirma que o deputado é “sabedor” da sua inocência. “Sou sabedor da culpabilidade dele. É muita coisa mal explicada, muita manobra jurídica de proteção à ‘familícia’“, disse Ivan, em entrevista a Marilu Cabañas no Jornal Brasil Atual desta quinta-feira (8). “Quem tem que dar explicações é o Flávio Bolsonaro. Se ele quer me intimidar, não vai conseguir. Não tenho medo de miliciano”, ressaltou.

O BRB concedeu empréstimo de R$ 3,1 milhões para financiar em até 30 anos a aquisição do imóvel avaliado em cerca de R$ 6 milhões. De acordo com critérios do próprio banco, Flávio e esposa deveriam apresentar renda mensal superior a R$ 46 mil para a liberação de tal montante. O seu salário como senador é de R$ 25 mil líquidos. E sua esposa é dentista e tem um consultório em Brasília. Além disso, chama a atenção que a transação do imóvel tenha sido registrada num cartório na cidade de Brazlândia, no entorno da capital federal.

O MP-DF alegou que há indícios de irregularidades na transação e abriu investigação, o que derrubaria a tese do senador sobre alegação de denunciação caluniosa. “É um absurdo essa tentativa de intimidação, porque não tem lógica. Se o MP abriu o inquérito inicial, é porque viu indícios”, comentou Ivan.

‘Crônica cômica’

De acordo com o deputado federal Fábio Trad (PSD-MS), que também é advogado, o filho do presidente foi mal assessorado juridicamente ao registrar o boletim de ocorrência. “A ação empreendida por Flávio Bolsonaro é cômica. Digna de ser incluída num livro de crônicas cômicas do Direito, tamanha a barbeiragem jurídica que foi perpetrada. À luz da política, não vai intimidar. Pelo contrário, vai estimular a oposição a seguir em frente”, declarou.

Flávio Bolsonaro e família

Ivan Valente lembrou, ainda, do caso das “rachadinhas” envolvendo Flávio Bolsonaro e da sua relação com milicianos. Além disso, destacou que também entrou com pedido de investigação contra outro filho de Bolsonaro. Ele acusa Jair Renan Bolsonaro de tráfico de influência.

O filho mais novo do presidente teria recebido um carro elétrico de representantes da Gramazini Granitos e Mármores Thomazini, avaliado em R$ 90 mil, conforme informações divulgadas pelo jornal O Globo. Um mês após a doação, em outubro do ano passado, a empresa conseguiu agendar um encontro com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que teve também a participação de Renan.

Trad afirmou, ainda, que há provas materiais e evidências que comprovam a atuação negligente de Bolsonaro no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, um “levantamento minucioso” seria capaz de apontar que o comportamento do presidente beirou a “irresponsabilidade dolosa“, o que seria suficiente para abertura de um processo de impeachment.

“Em primeiro lugar, ele duvidou do próprio vírus, dizendo-o uma gripezinha. Em segundo lugar, duvidou da máscara. Depois, escarneceu do isolamento social. E, ao final, debochou da potencialidade da vacina, quando disse que quem tomasse poderia se transformar num jacaré. Mais do que isso, há declarações explícitas do Bolsonaro dizendo assim: ‘a vacina não é prioridade’”, disse Trad.

“Estamos comprando mais velas do que produtos básicos de higiene e alimentos. O Brasil hoje é um grande cemitério”, afirmou o parlamentar. “Daqui uma hora, vou para a quarta ou quinta mensagem de condolência. E o que mais dói é saber que amanhã isso vai se repetir”, lamentou Trad.

Para Ivan, chegou-se a um “limite” com Bolsonaro por conta da sua “política genocida” e “catastrófica” no combate à pandemia. Em alusão ao jantar de Bolsonaro com empresários nesta quarta-feira (7), em São Paulo, o deputado afirmou que “quem embarcar nessa canoa furada vai se dar mal”. “Acredito que em algum momento vamos ter que abreviar o final desse mandato. E só pode ser através de um pedido de impeachment”, declarou.

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